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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 151

POV Oliver

Meu pai chegou antes de o dia amanhecer. Quando entrou no escritório, eu estava jogado numa poltrona, completamente destruído, com um copo entre os dedos.

Para minha surpresa, Niko apareceu logo atrás dele.

Meu pai caminhou na minha direção e, sem sequer me cumprimentar, retirou o copo da minha mão:

— Não vou deixar você se embebedar.

— Agora água embebeda? — Eu ri, tentando parecer engraçado. — Se água embebeda, estou prestes a entrar em coma alcoólico.

— Pois deveria beber de verdade — Niko disse, sentando-se na poltrona de frente para mim. — Assim você apagaria na sua cama e não ficaria perturbando os outros durante a madrugada. Aliás, você não dorme mais?

— Eu nem chamei você.

— Mal-agradecido. — Ele aceitou o copo de uísque que meu pai lhe entregou.

Meu pai se sentou ao lado de Niko e me encarou:

— Talvez você não precise beber para ter essa conversa. — Ele tomou um gole tão grande que quase esvaziou o copo. — Mas eu preciso... para aguentar o que vem pela frente.

— Vocês estão aqui para me apoiar, não é mesmo? — Fiquei em dúvida.

Niko retirou do bolso do paletó um pequeno estojo de couro. Abriu-o e revelou três charutos. Entregou um para mim, outro para meu pai e ficou com o terceiro.

— Você sabe fumar isso, Oliver?

Olhei para o charuto entre meus dedos:

— Até hoje... eu só fingi que fumava. Não gosto muito dessas coisas que viciam.

— Você é viciado em coisas muito piores. Então fume — meu pai ordenou.

Era bem estranho um pai obrigar o próprio filho a fumar. Mas, naquele momento, pareceu que eu não tinha escolha.

— Existe uma forma correta de fazer isso, caso não queira tossir como um adolescente experimentando cigarro escondido atrás da escola — Niko explicou.

Ele cortou cuidadosamente a ponta do próprio charuto e depois fez o mesmo com o meu. Meu pai, por sua vez, já sabia exatamente como proceder.

Em seguida, Niko acendeu um fósforo e aproximou a chama da extremidade, girando o charuto devagar.

— Primeiro, você aquece a ponta sem encostá-la diretamente na chama — explicou. — Depois coloca na boca, puxa a fumaça devagar e gira o charuto para que acenda por igual.

Niko me entregou o fósforo aceso. Tentei imitá-lo, mas ele segurou meu pulso:

— E não trague.

Arqueei uma sobrancelha:

— Qual é o sentido de fumar de verdade se não posso tragar?

— Sentir o sabor, Oliver. Você mantém a fumaça na boca por alguns segundos e depois solta. Se mandar tudo para os pulmões, passará os próximos dez minutos tossindo, e eu não estou com paciência para salvar você de mais uma decisão idiota.

Fiz exatamente como ele explicou. Mantive a fumaça na boca por alguns segundos e a soltei lentamente.

— E então? — Niko perguntou.

Fiz uma careta:

— Tem gosto de madeira queimada.

— Esse charuto custa mais do que o salário mensal de muita gente.

Olhei novamente para ele:

— Então tem gosto de madeira queimada muito cara.

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