— Certo — meu pai disse. — Se quer conquistar Jack, precisa começar pelo início.
— Que início? Nós ficamos casados durante sete anos. Não apenas passamos do início como também já chegamos ao fim.
— Conversar com ela — Niko respondeu. — Esse é o início.
— Eu converso com ela.
— Discutir a guarda dos filhos e ameaçar matar o próprio irmão não conta como uma conversa — meu pai explicou.
— Então... o que eu devo fazer?
Niko e meu pai trocaram um olhar. Pela expressão dos dois, parecia que eu havia perguntado como se respirava.
— Convide-a para sair — meu pai sugeriu.
— Para onde?
— Um restaurante, um passeio, qualquer lugar de que ela goste.
— Eu não sei de que lugar ela gosta — confessei, atordoado.
— Excelente começo — Niko ironizou. — Descubra.
Levei o charuto à boca e puxei a fumaça devagar. E tossi pelos três minutos seguintes. Joguei aquela coisa sobre a mesa. Eu preferia meu cigarro imaginário, que não tinha cheiro nem gosto, tampouco fazia mal à saúde.
— E depois que eu descobrir? Suponhamos que eu consiga essa informação. O que faço em seguida?
— Você conversa, escuta, elogia... — meu pai enumerou. — Faz com que ela se sinta especial.
Respirei fundo e abaixei a cabeça, olhando para o nada:
— Ela me odeia. Mal me deixa falar em sua presença. Troca meia dúzia de palavras comigo... e apenas por obrigação.
Niko abaixou o charuto e me encarou:
— Oliver, você já conquistou alguma mulher na vida?
— Brianna.
— Brianna já queria você — meu pai argumentou. — Não precisou conquistá-la.
— Houve outras.
— Pagando não conta — Niko disse, soltando uma gargalhada.
— Eu não pagava para que gostassem de mim. Pagava para não precisar saber o nome delas.
Meu pai fechou os olhos e massageou as têmporas:
— A cada resposta, você consegue piorar ainda mais a situação.
— Muitas vezes eu preferia me masturbar a transar com uma desconhecida — confessei. — Era mais rápido, não exigia que eu abrisse a boca para falar qualquer coisa e eu não precisava olhar para o rosto de ninguém.
Niko ficou imóvel, com o charuto a poucos centímetros da boca:
— Você percebe que pretende reconquistar uma mulher e está pedindo conselhos a dois homens depois de confessar que sua maior experiência romântica foi com a própria mão?
— Ao menos foi uma relação duradoura — argumentei. — E ela nunca reclamou da minha falta de atenção.
Meu pai meneou a cabeça, decepcionado com o filho que só havia gostado de uma mulher na vida e que já começava a suspeitar que nem aquele sentimento havia sido verdadeiro. Sem contar o fato de que eu pagava para foder outras mulheres enquanto mantinha uma esposa dentro de casa. A minha mão? Bem, ela havia sido apenas mais uma vítima de tudo aquilo.
— Jack não é Brianna, uma mulher contratada ou a sua mão — meu pai disse, como se tivesse desvendado meus pensamentos. — Você precisará conhecê-la.
— Eu conheço Jack há quinze anos.

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