Quando cheguei ao quarto, fiquei imóvel diante da cena. Zoe estava chorando, desolada, com várias mechas de cabelo nas mãos. Maicon permanecia sentado num canto, com as mãos tapando os ouvidos e o olhar distante.
Olhei para um e depois para o outro, sem saber qual dos dois acudir primeiro.
Zoe ergueu uma das mechas:
— Maicon... cortou... — Ela soluçava, aos prantos.
Olhei para meu filho, que permanecia sem reação. Ao lado dele, no chão, estava a prova do crime: uma tesoura escolar sem ponta.
Corri na direção dele e sentei-me no chão, mantendo certa distância e colocando a mão próxima à sua. Com a outra, puxei Zoe delicadamente pelo braço, aconchegando-a a mim:
— Maicon, o papai está aqui — falei, tentando acalmá-lo.
— Pois não esteja... papai... — Zoe tremia. — Porque o Maicon... cortou os meus cabelos...
Ela estava inconsolável. Eu também estaria inconsolável se alguém tivesse cortado meus cabelos sem a minha permissão.
— Maicon — tentei não alterar a voz — por que você fez isso?
Ele tirou as mãos dos ouvidos, limpou as lágrimas e me olhou:
— Maicon... não é um bebê chorão.
Caralho! Maicon realmente não era um bebê chorão. Era um bebê rancoroso e vingativo.
— Você não deveria ter feito isso. A sua irmã ficou triste.
— Com raiva — Zoe corrigiu, limpando as lágrimas e tentando se recompor. — Eu não fiquei triste... fiquei com raiva.
Peguei a mão de Maicon. Claramente, ele não estava tendo uma crise, e sim reagindo ao que havia feito com o cabelo da irmã. E, sinceramente, eu esperava que aquela reação fosse de arrependimento.
— Por que você fez isso?
— Maicon não é chorão.
Disse o menino que chorava naquele exato momento.
Eu ri. Em meio a todo aquele caos, eu simplesmente ri. Por que Jaqueline nunca me disse que existia uma parte divertida naquilo tudo?
Olhei para Zoe e me senti culpado por estar achando graça. Peguei uma das mechas do cabelo dela e não consegui me conter:
— Que porra... você fez aqui, Maicon?
Ele havia cortado várias mechas, a maioria na altura dos ombros.
— Vou ter que usar peruca? — Zoe tocou a cabeça. — Posso usar uma peruca castanho-escura?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu