Quando saí do banho, encontrei praticamente todas as roupas de Natália espalhadas sobre a cama.
Ela estava parada diante do armário, com as mãos na cintura e uma expressão tão séria que parecia decidir qual roupa eu usaria para comparecer ao meu próprio funeral.
— Você pretende usar tudo isso? — brinquei.
— Não. Você pretende experimentar tudo isso.
— Natália, é apenas um jantar.
Ela virou-se para mim:
— Não existe “apenas um jantar” quando o homem que fez aquilo com você numa boate será responsável por escolher a sobremesa.
— Ele não fez “aquilo” comigo. Foi só...
— Claro que não. — ela me interrompeu — Foi o Espírito Santo que deixou aquela marca no seu pescoço.
Senti minhas bochechas queimarem.
Peguei o vestido mais próximo. Era preto, comprido e parecia comportado o bastante para que eu não passasse a noite inteira preocupada com alguma parte do meu corpo aparecendo.
— Vou usar este. — defini.
Natália arrancou o vestido das minhas mãos:
— Você vai a um encontro, não ao velório do seu casamento.
— Eu gosto de preto.
— E eu gosto de homens ricos. Nem por isso saio usando um cartão de crédito pendurado no pescoço.
Ela devolveu o vestido à cama e pegou outro. Era vermelho, justo e possuía uma abertura na lateral que certamente terminava em algum lugar onde abertura nenhuma deveria chegar.
— Nem pensar.
— Experimente primeiro. Depois você pode dizer que não.
— Eu já estou dizendo.
— E eu já estou ignorando.
Natália empurrou o vestido contra o meu peito e apontou para o banheiro:
— Vista.
— Isso mal cobre o meu corpo.
— Essa é exatamente a função dele.

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