— Já dormi — ele disse, com aquele sorriso que não saía de seus lábios. — Mas não durmo mais.
— Agora você vai dizer que não dorme mais com ela só porque me beijou numa casa noturna?
— Bem... na verdade, não durmo mais com ela porque nunca tivemos um relacionamento sério. Transávamos. Eu gostava, ela gostava e era simples assim. E, caso queira saber, eu não transo com todas as minhas secretárias.
— Eu... confesso que não tenho certeza nenhuma disso.
Adriel me puxou para tão perto dele que senti seu perfume masculino e envolvente... quase viciante.
— Reformulando a resposta: eu não transo com todas as minhas secretárias, não transo mais com Gabriela e estou disposto a não transar com mais ninguém depois de você.
Mordi o lábio, atordoada. Estávamos mesmo falando a palavra “transar” como se fosse algo completamente normal? E... eu estava mesmo pedindo explicações àquele homem que mal conhecia?
Não pedi explicações nem a Oliver, com quem fui casada por sete anos, e agora cobrava respostas daquele homem praticamente estranho?
— Quer transar comigo pelo resto da vida, Jack?
Eu ri, dando um passo para trás e me desvencilhando de Adriel:
— Isso soa como um quase pedido de casamento. E... sinceramente, é bem engraçado.
— Ainda é cedo para eu te pedir em casamento. Claro que, se você quiser morar logo comigo e transar todos os dias, eu aceito. Porém, acho que você merece mais... tipo... um anel com a pedra mais linda do mundo, um jantar à luz de velas e eu ajoelhado, fazendo o pedido.
Meus lábios tremeram. E tive vontade de chorar. Imaginei a cena, digna de um filme romântico. Mas, infelizmente, era algo que eu não viveria.
Já fui pedida em casamento. Mas não houve pedido de joelhos, jantar à luz de velas... e tampouco o anel foi escolhido para mim.
Eu não queria que doesse. Mas doeu. Doeu o que Oliver fez comigo. Doeu o fato de eu não poder viver tantas coisas que ainda desejava viver. E doeu... saber que morreria sem descobrir como teria sido ser a esposa de verdade de Oliver Bianchi, caso alguma coisa entre nós tivesse dado certo.
— Eu... vou tentar fazer a tal conciliação do projeto da pasta... — tentei sorrir e fingir que eu dominava ao menos um pouco do assunto.
— Isso tudo que tivemos agora se chama flerte. — ele ignorou a parte profissional
Pelo visto, Adriel Andrade cumpria tudo o que prometia. E... se continuasse assim, em breve eu riscaria todos os itens da minha lista.
— Na próxima semana, será a inauguração oficial da A.A. Noire. E eu quero que você vá comigo.
— Eu? — estreitei os olhos, apontando para o meu próprio peito.
— Sim. Você.
— Eu sou... só...

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