Brianna arregalou os olhos:
— Você... me perguntou... como foi morar na casa dos Walker? Foi isso mesmo ou eu entendi errado?
— Você entendeu certo.
— Eu achei que estivéssemos falando sobre o nosso relacionamento.
— Sinceramente, não quero discutir a nossa relação. Se já estamos fazendo isso antes mesmo de assumirmos alguma coisa, o que nos restará depois de alguns meses?
Eu não discutia a relação nem com a minha própria esposa. Então por que, caralho, Brianna achava que eu faria aquilo com ela?
— Eu nem vou perguntar novamente qual é o seu problema... porque, infelizmente... acho que já sei.
Arqueei uma sobrancelha. Eu... não tinha problema algum. Ou seja, não havia como Brianna saber alguma coisa que nem eu mesmo conseguia compreender.
Ela respirou fundo:
— Tudo bem. Se é tão importante para você saber sobre o tempo em que morei com os Walker, vamos lá... morar com eles era caótico. Mas eu sempre fui psicologicamente forte o suficiente para aguentar tudo. Como você sabe, fui abandonada pela minha mãe e sequer sei quem é o meu pai. Portanto, um homem bêbado, um adolescente que começava sua trajetória no mundo das drogas e uma mulher que nunca teve capacidade de enxergar a si mesma... sinceramente, eram coisas pequenas para mim.
— Você esqueceu um detalhe.
— Qual? — ela perguntou, franzindo a testa.
— Jaqueline.
— Quer saber o que eu pensava sobre ela enquanto vivi com os Walker?
— Sim.
— Você tem filhos e certamente já assistiu a um filme chamado “O Estranho Mundo de Jack”. Para mim... era exatamente isso. Ela sempre viveu naquele mundo estranho que inventou para si mesma.
Permaneci em silêncio.
— E não estou falando somente do mundo estranho que Jaqueline criou. Sabe o que é ainda mais interessante? As semelhanças dela com o filme não estavam apenas no nome do personagem. Ela praticamente incorporava aquele personagem, que tentava copiar os outros para preencher o próprio vazio e ser alguma coisa diferente do que realmente era.
— Ela era apenas uma criança. Se copiava você, não era por inveja, mas porque a admirava.
— Está me chamando de velha?
— Não... estou chamando Jaqueline de jovem.
— Ainda assim, está me ofendendo.
— Não foi essa a minha intenção.
— Por que você começou a defendê-la agora?
— Porque ela é a mãe dos meus filhos.
— Ela não se tornou a mãe dos seus filhos de algumas semanas para cá. Jaqueline é a mãe de Zoe e Maicon há seis anos. Então por que somente agora você se importa com o fato de ela viver no estranho mundo de Jack?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu