Levei Zoe e Maicon para o novo espaço que havia reservado na empresa. Esperando por eles estavam um arquiteto, uma designer de interiores e duas pedagogas.
Meus filhos olharam para tudo, curiosos.
— Papai decidiu que esse lugar aqui será para Zoe e Maicon se divertirem enquanto eu trabalho. E adivinhem? Vocês poderão brincar com outras crianças aqui, porque o papai vai permitir que todos os funcionários também tragam seus filhos, se assim desejarem.
— É... grande — Zoe disse, enquanto observava tudo atentamente.
— A tarefa de vocês hoje é ajudar essas pessoas aqui — apontei para os profissionais — a organizar tudo de acordo com aquilo de que vocês gostam.
— Isso é verdade? — Zoe vibrou. — Faremos um parque de diversões aqui?
Eu ri:
— Acho que não é para tanto, Zoe. Não temos espaço suficiente para tudo isso.
— Mas pode haver um carrossel — a designer sugeriu, olhando para ela com um sorriso.
— E vocês precisam escolher coisas com as quais as outras crianças também gostarão de brincar — expliquei.
— Uau! — Ela pareceu gostar ainda mais da ideia.
— E você, Maicon... o que vai querer aqui?
— Azul — ele respondeu, sorrindo e apontando para as paredes.
Olhei para o arquiteto:
— O espaço será todo azul. Acha que tons claros seriam melhores? — perguntei, em dúvida.
— E não pode ter as cores do arco-íris? — Zoe sugeriu.
— Não, não pode. Porque Maicon também tem o direito de fazer escolhas — expliquei, olhando para ela, que acabou sorrindo.
— Está bem — ela suspirou. — Maicon escolhe as cores e eu escolho todo o resto.
— Ele também participará das outras escolhas. — defini.
— Ele nunca participa — ela reclamou, cruzando os braços.
— Talvez porque você não dê a ele a oportunidade de participar.
— Maicon participa — ele decidiu, com firmeza.
Eu ri. Eram como água e vinho... assim como Jaqueline e eu. Porém, mesmo sendo tão diferentes, eles conseguiam se acertar. Bem diferente do que aconteceu entre Jaqueline e eu.
Deixei os dois ali, sob os cuidados das pedagogas, fazendo escolhas importantes sobre aquilo que todos os filhos dos funcionários da Diamond poderiam usar e aproveitar.
Se daria certo? Eu não tinha a mínima ideia. Mas, se não tentasse, jamais saberia.
Pelo visto, aquele havia se tornado o novo lema da minha vida: “Tente”. Se quebrar a cara... ficará com a cara quebrada. Exatamente como eu estava naquele momento, mais remendado do que uma calça de festa junina.
Assim que cheguei à recepção da minha sala, a secretária avisou:
— O senhor Pierce está esperando, conforme o senhor solicitou.

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