POV Jaqueline
Assim que peguei meu celular, vi várias chamadas não atendidas. Todas eram da mesma pessoa: Oliver. Os horários eram próximos, concentrados entre quatro e cinco horas da manhã.
Olhei para Zoe e Maicon, que ainda estavam dormindo tranquilamente. Então, coloquei o telefone de volta sobre a mesa. Se os meus filhos estavam bem, todo o resto pouco me importava.
Tomei um banho, acordei meus filhos e os preparei para entregá-los a Oliver.
Quando ouviram a campainha, os dois saíram correndo, pois sabiam que só poderia ser o pai. Assim que abri a porta, deparei-me com o ser mais quebrado e patético que eu já havia visto na vida: Oliver Bianchi.
Ergui a cabeça e meus olhos mergulharam naquelas íris azuis da cor do oceano. E, acima delas... havia uma testa marcada por um hematoma gigantesco.
Enquanto as crianças o abraçavam, percebi que ele retribuía o gesto com todo o cuidado. Uma das mãos estava imobilizada por uma tala, que eu não conseguia saber até onde ia por causa do casaco que ele usava por cima.
— O que houve com você, papai? — Zoe quis saber.
— Eu... caí — ele respondeu, exibindo um sorriso idiota, como se alguém naquele lugar fosse acreditar naquela explicação.
— Caiu de mão ou de cabeça? — Zoe estreitou os olhos, observando primeiro a mão do pai e depois a testa, completamente confusa.
— De... mão e depois de cabeça — ele respondeu, soltando uma risada.
Maicon ergueu os braços, pedindo silenciosamente que o pai o pegasse no colo. Oliver o levou para junto do peito e lhe deu um beijo carinhoso.
— Maicon vai cuidar do papai — disse, enquanto alisava o rosto de Oliver.
Zoe não precisou pedir. Oliver também a ergueu nos braços, enquanto ouvia os elogios dos dois sobre o quanto ele era forte e incrível.
E quebrado. Pelo visto, meus filhos haviam se esquecido daquela última parte.
— Eu... — ele tentou dizer alguma coisa.
Juntei as duas alças das mochilas e as coloquei na única mão dele que ainda parecia estar sã:
— Ligarei por chamada de vídeo às vinte e três horas — avisei. — Se você não me atender, já sabe o que acontecerá.
— Você irá até a minha casa, baterá em mim e ainda me acusará de mentiroso — ele respondeu, sorrindo.
Meneei a cabeça, confusa. Oliver... havia sorrido? E não rebateu absolutamente nada do que eu disse?

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