Esperei algum tempo antes de me desvencilhar e dizer:
— Mamãe ama muito vocês. Comportem-se.
Oliver fez menção de caminhar até o elevador, mas não foi. Parou e perguntou:
— Por que a ligação acontecerá às vinte e três horas? É muito tarde. A essa hora, as crianças já estarão dormindo.
Ele tinha razão. Porém, eu estaria em um jantar com Adriel e havia achado que aquele seria o melhor horário. Mas mudei de ideia imediatamente:
— Pode ser às dezoito horas.
Ou seja, antes de eu sair para o jantar.
— Por quê?
Ele estava realmente questionando o horário em que eu ligaria para os meus próprios filhos?
— Ela pode ligar na hora que quiser. Não existe nenhum horário estipulado pelo juiz — Natália apareceu atrás de mim. — E você terá que se adaptar às ligações a partir de agora, porque Jack vai estudar à noite e...
— Estudar à noite? — Oliver me encarou, surpreso.
— Sim. Vou voltar para a faculdade — respondi, furiosa por Natália abrir a boca, como sempre fazia.
Eu não devia nenhuma satisfação a Oliver. No entanto, era melhor deixá-lo a par do que aconteceria, já que ele havia sido sincero comigo ao dizer que levaria Zoe e Maicon para a empresa.
— Por que você vai estudar? — ele perguntou.
— Porque ela se anulou durante sete anos ao seu lado e agora quer ser tudo aquilo que nunca teve a oportunidade de ser, seu b-a-b-a-c-a — Natália soletrou as letras para que Zoe e Maicon não compreendessem a palavra.
— B mais a... — Zoe começou a juntar as letras, tentando entender o que foi falado.
Oliver me encarou:
— É essa a pessoa com quem você faz os meus filhos conviverem? Imagino o que eles devem ouvir quando eu não estou por perto.
— Imagino exatamente a mesma coisa — sustentei seu olhar. — Porque, se Brianna diz o que diz quando está sem os meus filhos por perto, fico imaginando o que faz quando está junto deles.
— Eu me recuso a discutir esse assunto diante dos meus filhos.
Pela primeira vez, Oliver tinha razão. Precisávamos agir de maneira racional e não permitir que nossos filhos percebessem todos os problemas que nos cercavam. Eles haviam saído de uma família aparentemente completa para uma realidade na qual os pais eram divorciados e mal conseguiam olhar um para o outro.
— Eu... os aguardo amanhã — dei aquela conversa por encerrada.
— Tudo bem.
Observei o esforço que Oliver fazia para manter Maicon em seu colo usando aquela mão coberta pela tala. Ainda assim, não deixou de pegá-lo, porque sabia que aquele gesto era importante para nosso filho.
Os três seguiram em direção ao elevador, e permaneci parada, esperando as portas se fecharem enquanto observava Oliver levar consigo as duas coisas mais preciosas que eu possuía na vida.
Virei-me para Natália e a encarei, tentando inutilmente não chorar:

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