— Não, você não caiu. — Brianna me encarou, dando um passo para trás.
— Eu... caí, sim.
Acho que nem mesmo Zoe e Maicon acreditariam em mim se eu dissesse que havia caído.
— Foi ela, não foi?
— Ela? — Fiquei confuso.
— Jaqueline. Mais uma vez, foi Jaqueline.
Como... Brianna sabia sobre o que havia acontecido? E o pior: como conseguia acusar Jaqueline daquela forma?
— Você não entende que ela nunca vai deixar você em paz, Oli?
Senti-me tonto, embora já não sentisse tanta dor. Certamente, aquilo era efeito dos analgésicos.
Passei por Brianna e segui em direção à escada, subindo vagarosamente, degrau por degrau, incerto se conseguiria fazer aquilo sozinho.
Parei dentro do meu quarto. Massageei as têmporas, sentindo a visão embaçar levemente.
Eu sabia que aquilo não havia sido um sonho. Que, no dia seguinte, quando acordasse, ainda me lembraria de tudo. E o pior: eu precisava buscar Zoe e Maicon na casa de Natália sem saber o que explicaria sobre o meu estado. E... se Jaqueline já soubesse o que eu havia feito?
Peguei meu celular. Havia uma única mensagem enviada por ela. Apertei o play:
“Papai, a gente ama você” — era a voz de Zoe.
“Boa noite. Maicon ama o papai” — ouvi o som tímido da voz do meu menino.
Desabei sobre a cama, olhando para o teto e sentindo o peso do mundo inteiro sobre o meu corpo.
Ouvi o som da porta se abrindo e a voz de Brianna, que parecia vir de muito longe.
Levantei-me de forma automática e fui até o banheiro. Assim que entrei, girei a chave, trancando-me lá dentro.
Abri o chuveiro sem sequer retirar toda a roupa. A água atingiu meu corpo, fazendo o sangue preso à minha pele escorrer sobre o mármore branco. Fiquei observando os fios vermelhos avançarem pelo piso até desaparecerem completamente no ralo.
Aquele sangue era de Jaziel. Mas, enquanto o observava, só conseguia pensar em Jaqueline.
Encostei a testa na parede e deixei meu corpo deslizar lentamente. Quando percebi, estava sentado no chão, debaixo da água, com os joelhos dobrados e as mãos tremendo.
Como um pai era capaz de fazer uma coisa daquelas... com uma criança?
Não sei por quanto tempo permaneci ali, deixando a água morna molhar o meu corpo por completo.
Quando finalmente saí do banheiro, encontrei Brianna parada diante da porta, com os braços cruzados. Perguntei-me se ela estava ali desde o momento em que entrei no banho.
— Oli, eu tenho o direito de saber o que aconteceu.

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