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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 115

Foi então que me lembrei do olhar distante de Jaqueline... do silêncio... da forma como ela sempre foi retraída.

Entendi as roupas discretas, que escondiam praticamente todo o seu corpo. E a maneira estranha como ela agia durante a noite, antes de as crianças nascerem, caminhando pela casa como se fosse um zumbi e adormecendo apenas quando o dia começava a nascer.

Então, lembrei que só sabia daquilo porque estava lá... porque a observava, porque eu também não dormia até que ela entrasse em seu quarto e finalmente apagasse.

Eu apenas a considerava estranha. Estranha para caralho! Mas nunca me perguntei o motivo de seu silêncio... tampouco porque ela era daquele jeito, como se sentisse medo de todo o mundo ao seu redor.

Eu falhei. Não como homem, mas como marido. Dizer que eu gostava de Jaqueline no passado seria uma mentira. Mas eu não precisava tê-la ignorado daquela maneira. Porém, tentava justificar para mim mesmo que ela jamais permitiu que eu me aproximasse. E... eu também nunca fiz questão de tentar uma aproximação.

Mesmo morando sob o mesmo teto, permanecemos separados durante sete anos. Nenhum de nós tentou se aproximar do outro. Eu, por orgulho, por não conseguir me desprender do passado. Ela, por causa de seus traumas.

Eu sabia que nada poderia mudar aqueles sete anos. E que o fato de agora conhecer uma parte da história dela não mudaria os próximos anos que viriam, durante os quais já não estaríamos juntos e eu sequer tinha o direito de participar.

Eu estava destruído. Destruído pelo passado da mãe dos meus filhos. Destruído pela monstruosidade do que aquele homem havia feito. O pai, justamente aquele que deveria protegê-la, havia sido quem a jogou dentro de uma armadilha cruel e brutal.

Peguei meu telefone e liguei para uma ambulância. Talvez devesse telefonar diretamente para uma funerária. Mas achei que o procedimento correto seria começar pela ambulância e, caso Jaziel estivesse morto, seu corpo passaria por uma autópsia, eu seria condenado e todo o resto que se fodesse.

Adriel criaria os meus filhos, e provavelmente eu me arrependeria pelo resto da vida por aquilo que havia feito. Mas, naquele momento, tudo não passava de hipóteses. Então, preferi viver o presente, hora após hora, até descobrir o que aconteceria no dia seguinte.

Concluí a ligação e, antes que eu deixasse o escritório, Jaziel tossiu, abriu os olhos e resolveu falar mais uma vez, em um esforço que parecia quase impossível:

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