Abri a porta e me sentei no banco. Fechei os olhos e respirei fundo.
— Que porra... aconteceu com você? — meu pai gritou. — Você foi assaltado?
— Não. — Mantive os olhos fechados e a voz calma.
Senti os braços do meu pai me puxando para perto. Ele me abraçou, e eu me agarrei a ele.
— Aquele filho da puta... — A voz do meu pai mal conseguiu sair.
Deitado contra o seu peito, senti as batidas aceleradas de seu coração.
— Não me diga que ele tentou novamente, Oliver... por Deus, diga que não...
Afastei-me lentamente do meu pai e disse:
— Não foi ele dessa vez, pai.
— Então me diga, por favor... — Os lábios dele tremeram. — O que está fazendo aqui, sozinho, ensanguentado... no meio da madrugada?
Eu poderia dizer a verdade. Mas não me sentia no direito de contar algo que não dizia respeito a mim. De revelar uma coisa que Jaqueline havia escondido durante treze anos. Eu não tinha certeza se Anabelle sabia... tampouco se Natália estava a par daquela história.
Mas agora eu sabia. E nunca, em hipótese alguma, revelaria aquilo para ninguém. Nem mesmo para a própria Jaqueline. Se algum dia ela quisesse me contar, eu ouviria. Mas eu duvidava de que um dia ela faria isso. A tendência, daquele momento em diante, era que conversássemos somente por causa dos nossos filhos.
Assim como nunca houve confissões ou intimidade ao longo dos sete anos de casamento, certamente nada mudaria nos outros possíveis vinte que ainda viriam.
Certamente Anabelle contaria que eu havia sido o responsável pela quase morte de Jaziel. Ou até mesmo pela morte real, o que bem provável que tivesse acontecido. E eu inventaria qualquer desculpa. Mas jamais revelaria a verdade. Manteria o segredo de Jaqueline protegido.
— Levaram o seu carro, Oliver? Se não foi Adriel... foi algum ladrão? E houve uma luta corporal e...
— Foi Johnny, pai — contei a verdade. — Johnny levou o meu carro.
— Você está dizendo que... o irmão de Jack...
— Roubou o meu carro. Foi exatamente isso que você ouviu. Certamente, a esta hora, o meu Lamborghini já virou pó... literalmente.
— Johnny roubou o seu carro... e você tentou matá-lo? Foi isso que aconteceu, Oliver? Conte a porra do que fizeram com você.
Levantei o braço e mostrei minha mão:
— Preciso de um analgésico.
Meu pai arregalou os olhos:
— Não... você precisa urgentemente de um médico. Sua mão está quebrada.
Ele arrancou em alta velocidade, e certamente estava seguindo em direção a algum hospital.

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