Ela pareceu adivinhar meus pensamentos quando disse:
— Você tem filhos. Tente entender o meu lado.
— Não, Anabelle. Não tem como entender isso.
— Não importa o que ele faça... continua sendo o meu filho. E nada poderá mudar isso. As mães devem proteger seus filhos.
— E você está protegendo-o de quem, Anabelle? De mim? Pode protegê-lo contra mim, mas jamais conseguirá protegê-lo do mundo.
— Tente ao menos ter um pouco de paciência com ele.
— Eu posso tentar... desde que ele pare de me pedir dinheiro. — Encarei-a. — Ou você acha correto Johnny me pedir dinheiro para comprar drogas?
Ela abaixou o olhar, mas não disse absolutamente nada.
— Eu vim falar com Jaziel — falei.
Já era tarde. Eu não tinha tempo para continuar lidando com Johnny.
— Com... Jaziel? — Ela pareceu tão surpresa quanto eu havia ficado ao receber aquela ligação.
— Sim. Ele me chamou até aqui — expliquei.
— Ele está no escritório — Anabelle disse.
Nesse momento, Johnny saiu correndo, e Anabelle imediatamente foi atrás dele. Fiquei parado ali, observando a cena, sem saber se sentia pena ou raiva.
Entrei na casa e subi as escadas em direção ao escritório de Jaziel. Durante anos, frequentei aquele lugar. E nada havia mudado. Absolutamente nada. Mas era justamente por não ter ocorrido mudança alguma que os móveis estavam velhos, a casa precisava urgentemente de reparos e o sobrenome Walker havia sido jogado no lixo fazia muito tempo.
Bati e entrei no escritório. Não esperei que Jaziel me autorizasse, pois eu sequer sabia em qual estado o encontraria.
Fiquei surpreso ao encontrar Jaziel de pé, olhando através do vidro da janela, talvez tentando enxergar alguma coisa na escuridão de seu jardim esquecido. Assim que me viu, suspirou e se voltou para mim:
— Obrigado por ter vindo, Oliver.
— O que você quer? — perguntei. — Espero que seja importante o suficiente para me tirar de casa quase à meia-noite.

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