— Afaste-se da porta, Johnny — pedi, tentando manter a calma.
— Eu só preciso de duzentos, porra.
— Não darei dinheiro a você. E nada do que disser me fará mudar de ideia. Eu não sou como Jaqueline ou como a sua mãe. E não tenho pena de você.
— Tudo bem — ele respirou fundo. — Eu entendo, Oliver.
Finalmente, alguma coisa parecia ter entrado na cabeça de Johnny.
— Se não tem dinheiro, então me empreste o seu cartão.
Franzi a testa, incerto se ele realmente havia acabado de dizer aquilo.
— Não — reiterei.
— Faça uma transferência para um amigo meu, e eu fico de boa.
— Eu não vou dar nada a você, Johnny. Não sou seu caixa eletrônico. Tampouco vou sustentar a porra do seu vício.
Johnny veio em minha direção e agarrou a gola da minha camisa, sacudindo meu corpo com agressividade:
— Eu estou passando mal.
Eu não tinha a menor dúvida daquilo. O suor, as mãos trêmulas, a agitação e o desespero deixavam tudo bastante evidente.
Segurei os pulsos de Johnny e o obriguei a me soltar:
— Então você precisa de atendimento médico. Não de dinheiro.
— Eu não preciso de médico! — gritou. — Preciso apenas... preciso de alguma coisa para me acalmar.
— Drogas? — fui direto.
Ele olhou para os lados, como se tivesse medo de que alguém pudesse nos ouvir.
— Fale baixo.
— É para isso que você quer o meu dinheiro, Johnny?
— Eu disse que é para me acalmar!
— Não vou financiar a sua destruição. Sinto muito.
Tentei passar, mas Johnny me impediu, colocando o próprio corpo na frente do meu.
— Você não sabe de nada. Não sabe como é ficar assim. Meu corpo dói, minha cabeça parece que vai explodir e eu não consigo parar de pensar naquela merda! Só preciso de um pouco. Depois disso, eu paro.

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