— Eu consigo, Zenobia. Você deve estar cansada depois de horas de voo. Dirija com cuidado, nos vemos daqui a pouco.
— OK, até logo.
Há alguns dias, Ema e Samuel haviam combinado de comemorar o aniversário de Zenobia, que coincidentemente voltava de viagem de negócios hoje.
Ema largou o celular e conferiu novamente a caixa de presente com o pijama, além do bolo e das flores que encomendara antecipadamente.
Satisfeita, os cantos de sua boca se curvaram num sorriso leve.
Nesse momento, a campainha tocou de repente.
Ema viu o rosto de Samuel pelo olho mágico e abriu a porta imediatamente.
— Ema, vim te buscar para irmos ao hotel. Está pronta?
— Sim, está tudo pronto. Podemos sair em breve, entre e tome um copo d'água primeiro.
Ela pensava em aproveitar a oportunidade para perguntar a Samuel sobre a ida de Marta para a Casa de Luz quando estivessem no hotel à noite para o aniversário de Zenobia.
Mas Ema estava um pouco impaciente; ela pensara a tarde toda e não conseguia entender qual era a intenção de Samuel.
— Samuel, sente-se primeiro. Zenobia acabou de sair do aeroporto, e a essa hora provavelmente vai pegar trânsito. Vamos descansar um pouco antes de sair.
Ema convidou Samuel para entrar e serviu-lhe água educadamente.
Samuel assentiu, concordando.
Após se sentar, Samuel viu os presentes e falou diretamente:
— Ema, você está se sentindo melhor hoje? Por que não me chamou para ir ao shopping sozinha? E se você se machucasse ou passasse mal?
Ema abriu os braços e disse com leveza:
— Descansei bem nos últimos dias. Ainda não estou no fim da gravidez, consigo me virar.
Samuel olhou para o sorriso suave de Ema e, por um momento, esqueceu de desviar o olhar.
Fazia muito tempo que não a via sorrir assim.
Desde que voltara ao país, quase não a vira sorrir.
Talvez fosse porque hoje era o aniversário de Zenobia e Ema não queria estragar o humor de todos, por isso parecia tão feliz.
Ao captar o olhar fixo de Samuel, Ema sentiu-se desconfortável.
Ema imaginou que fosse muito provável que fosse uma emergência, então deslizou o botão para atender.
Assim que a ligação conectou, a voz ansiosa e chorosa de Zenobia soou do outro lado:
— Ema, o Samuel já foi aí?
— Sim, ele está aqui.
— Rápido! Rápido, passe o celular para ele!
Ao ouvir o tom estranho de Zenobia, Ema obedeceu apressadamente e, ao entregar o celular, ativou o viva-voz.
Samuel olhou com hesitação para o gesto de Ema, depois baixou o olhar para o celular e disse gentilmente:
— Zenobia, é o Samuel.
Mal a voz de Samuel silenciou, a voz de Zenobia, em pânico e chorosa, veio do celular:
— Samuel! Por que não consigo falar no seu telefone?! Seus pais sofreram um acidente!
— Encontrei por acaso na estrada. Venha para o Hospital Municipal, o mais rápido possível! Quando chegar, explico os detalhes. Estou te esperando na entrada principal. Não deixe a Ema saber disso por enquanto, a saúde dela sempre foi frágil, venha logo...

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