Seus olhos brilharam. Engolindo em seco de puro nervosismo, ela ergueu o papel com cautela, abriu na primeira página e correu os olhos velozmente pelas informações.
Assim que confirmou que se tratava do documento certo, sacou o celular às pressas e abriu a câmera.
Suas mãos vacilavam, mas ela tentava ao máximo ajustar o ângulo para garantir que todas as páginas ficassem perfeitamente legíveis na foto.
Como era a sua primeira vez cometendo aquele tipo de delito, pequenas gotas de suor logo começaram a brotar em sua testa, e os seus olhos refletiam pavor e ansiedade.
Enquanto fotografava, ela olhava furtivamente para a porta, aterrorizada com a possibilidade de alguém entrar de surpresa.
Finalmente, todas as páginas estavam registradas em seu aparelho.
Ela soltou um longo suspiro de alívio. Rapidamente, devolveu a pasta ao lugar exato e reorganizou a gaveta, certificando-se de não deixar nenhum vestígio.
Bem no instante em que ia fechar a gaveta, ela reparou em um porta-retrato posicionado atrás do monitor. Para o seu choque, era uma foto de Ema.
O olhar de Natália congelou sobre a moldura, enquanto uma onda avassaladora de ciúme e fúria invadia o seu peito.
Seus dedos cravaram-se com força na beirada da gaveta, as unhas quase marcando a madeira.
Por que a mesa de Alípio ainda exibia uma foto de Ema?
Ela mordeu os lábios com tanta força que quase os feriu. Com os olhos faiscando de rancor, teve a vontade de estraçalhar contra o chão.
No entanto, pensando bem, Alípio havia passado de uma postura fria e distante para o tratamento atencioso de hoje. Será que... ele simplesmente não tivera tempo de guardar a foto de Ema?
Natália forçou-se a recuperar a compostura. Inspirando fundo, soltou lentamente a beirada da gaveta.

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