Após dizer isso, Natália estendeu o casaco para a vendedora, com um tom carregado de autoridade:
— Pode embrulhar este para mim.
Enquanto entregava a peça, ela olhava de soslaio para os lados. Pelo visto, aquela tal de Ema não era grande coisa.
Aquela garota ali na frente esteve sentada o tempo todo ao lado de Ema. Agora que Natália a estava humilhando de propósito, Ema sequer tinha dado as caras. Sabe-se lá para onde tinha fugido.
Natália não conseguiu evitar um bufido de desprezo mentalmente.
A vendedora, toda solícita, assentiu apressadamente:
— Sim, senhora, farei isso agora mesmo. Se estiver cansada, temos a área VIP logo ali, com bebidas e frutas frescas.
Hortensia entrou na frente da vendedora, bloqueando o caminho, e questionou:
— Que tipo de vendedora é você? É assim que trata os clientes?
Aquela funcionária era interesseira demais. Só porque Natália se dizia namorada de Alípio, a vendedora estava bajulando-a descaradamente, ignorando por completo a cliente que de fato havia escolhido a peça primeiro.
A vendedora parou, e um traço de irritação cruzou o seu rosto. Por que aquela mulher era tão insistente? Em poucos dias aquelas roupas estariam nas lojas do Grupo Salazar, por que fazer tanto escândalo por causa de uma única peça? Ela olhou para Hortensia e disse, impaciente:
— Moça, eu já lhe disse que em alguns dias essas peças estarão nas lojas do Grupo Salazar. Precisa mesmo brigar por esta aqui? Você ouviu muito bem, ela é a namorada do chefe. Se me criar problemas, eu vou perder meu emprego.
Hortensia não recuou e engrossou a voz:
— Mas que atitude é essa? Só porque ela diz que é namorada do Sr. Salazar, você faz tudo o que ela manda? E se eu fizer uma reclamação formal, acha que seu emprego estará garantido?
Natália interveio, arrastando as palavras:
— Estará sim. Eu garanto o emprego dela.

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