O olhar dela queimava com as chamas da fúria, como se quisesse reduzir Wendell a cinzas. O coração de Zenobia estava tomado pela determinação de não lhe dar mais nenhuma chance.
Mas Wendell se recusava a soltá-la. Ele a puxou em direção à escada de emergência. Zenobia se debateu, mas sua força não se comparava à dele.
Em instantes, ela foi arrastada para dentro da escada. Wendell fechou a porta, isolando todo o barulho do lado de fora.
O local tinha um cheiro de mofo e abandono. Sob a luz fraca, as silhuetas dos dois pareciam ainda mais nítidas.
Zenobia o encarou, furiosa.
— O que você quer, afinal?
Os olhos de Wendell transbordavam angústia e arrependimento.
— Zenobia, sobre aquela minha partida repentina... eu posso explicar. Eu nunca te esqueci, senti muito a sua falta.
Zenobia deu uma risada fria, cruzou os braços sobre o peito e disse com desdém:
— Nossa! Virou ator agora? Decorou bem o roteiro, me deixe pensar de qual novela é...
— Zenobia, eu voltei desta vez só para te procurar. Queria arrumar tudo primeiro antes de ir atrás de você...
Antes que ela pudesse terminar a frase, Wendell deu um passo à frente, prensando-a contra a parede. Seus corpos ficaram colados.
Zenobia o empurrou com força.
— Pare de fingir que está apaixonado, porra. Eu já sou uma mulher de trinta anos, não sou mais aquela garotinha ingênua de dezoito. Esse seu teatrinho não cola mais.
Ao ver a postura obstinada dela, a dor no peito de Wendell se intensificou.
— Zenobia, me dê uma chance de explicar.
A voz dele carregava uma súplica, e o olhar, um profundo pesar.
Zenobia virou o rosto, evitando encará-lo.
— Não há nada para explicar, nós já terminamos.

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