— Não, é só que eu realmente não estou acostumada com esse tipo de evento. Mano, não fica criando coisa na cabeça. Pode voltar para lá.
Dizendo isso, Ema colocou o cinto e deu a partida no carro.
Givaldo hesitou por um segundo, mas acabou não dizendo mais nada.
Enquanto o carro seguia pela rua, Kleber disse de repente:
— Mamãe, eu não gosto de lá. Sinto que eles também não gostam da gente.
Dário emendou:
— Eu também acho. Quando a gente vai na casa da outra vovó, todo mundo gosta da gente.
Érica fez biquinho e perguntou:
— Mamãe, por que eles não gostam da gente? Eu me comportei tão bem hoje.
Ao ouvir as palavras deles, Ema sentiu um nó na garganta.
Ela tentou controlar a emoção e, sem tirar os olhos da estrada, explicou:
— O comportamento de vocês hoje foi excelente, estão de parabéns. Mas vocês precisam entender uma coisa: nem a pessoa mais querida do mundo consegue agradar a todo mundo. Vocês entendem o que eu quero dizer?
Kleber franziu a testa, pensativo:
— Mamãe, entendi. É como na escolinha. Tem umas crianças que gostam de implicar com a gente de propósito, não é?
Ema assentiu:
— Essa é uma boa comparação. Mas vejam, são só alguns coleguinhas que agem assim, certo? A maioria é bem amigável. Então, a situação de hoje não é culpa de vocês, nem da mamãe. Entenderam?
Dário interveio:
— Mamãe, já saquei. Eu não preciso que eles gostem de mim. Tem um montão de gente que gosta de mim!
Érica empinou o narizinho:
— Humpf, eu também não ligo. Eu é que não vou ficar puxando o saco de ninguém.
Ema: — ...
Ouvir a expressão “puxando o saco” saindo da boca de Érica deixou Ema sem reação.
Onde será que ela aprendia essas coisas...
Felizmente não era nenhum palavrão, então Ema preferiu não render o assunto.

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