No entanto, mal ela havia caminhado uma curta distância, seu braço foi agarrado com força por Catarina.
— Ema!
A voz de Catarina carregava um tremor e uma surpresa cheia de expectativa.
Ema parou os passos com resignação e voltou seu olhar calmo lentamente para Catarina.
Observando-a de perto, o rosto de Catarina estava ainda mais pálido e magro, os cantos da boca caídos, e sua expressão opaca misturava peso e exaustão.
— Ah, Ema, finalmente te encontrei.
A voz de Catarina soou novamente, desta vez com um choro evidente, e a força com que segurava a manga de Ema aumentou.
Ema baixou os olhos e varreu o dorso da mão dela. As pulseiras, braceletes e anéis que brilhavam naquelas mãos no passado haviam desaparecido.
Pelo estado atual dela, Ema podia deduzir que Catarina provavelmente vendera todos os seus bens valiosos para cobrir as despesas domésticas.
— Algum problema? — O tom de Ema era frio, como se falasse com uma estranha.
Catarina travou por um instante, e seus olhos se encheram de dor e tristeza.
— Ah, Ema, naquele dia na casa da Zenobia, eu só fale da boca pra fora. Como você pôde realmente não voltar para casa? Por que você parece ter se tornado outra pessoa desde aqueles dias?
Ema não pôde evitar um sorriso frio no canto dos lábios.
A tristeza e a decadência de Catarina podiam ser reais; afinal, sem a vida boa, era natural sofrer.
Mas essa cara que ela fazia agora era certamente uma encenação cuidadosa para tentar tirar algo de Ema.
Estar ali esperando por ela significava que Catarina havia investigado sua rotina com antecedência.
Ema olhou para baixo, vendo Catarina chorando copiosamente, com uma expressão de que a família Pacheco inteira morreria sem Ema.
Somado àquela voz lamentável, qualquer um que visse acreditaria que era uma mãe amorosa.
Ema puxou sua mão de volta das mãos ásperas de Catarina e disse calmamente:
— Estou muito bem na casa da Zenobia. Quando eu ganhar dinheiro, mandarei para vocês.
Considerando sua gravidez, Ema teve que pensar em acalmar Catarina o mais rápido possível para poder ir embora.
No entanto, essas palavras não fizeram Catarina soltá-la.
Sua mão foi agarrada novamente:
— Ah, Ema, não seja boba. Eu sei que você arrumou um emprego, mas quanto aquele estúdiozinho pode pagar? Olhe para você, desde que deixou a família Salazar, seu rosto perdeu o brilho. Me escute, vai lá, pede desculpas pro Alípio e tenta fazer ele baixar a guarda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos