Parecia mais um conflito entre contratante e contratado devido a alguma divergência.
Emílio deu um sorriso discreto, caminhou até uma mesa redonda próxima e sentou-se. Bateu os nós dos dedos no tampo de vidro:
— Então sentem-se para conversar.
Ema estava exausta de ficar em pé e não hesitou em caminhar até lá e sentar-se de frente para Emílio.
Fátima hesitou por um instante, mas também foi se sentar.
Emílio correu os olhos ao redor; ninguém presente tinha a intenção de sair.
Ema observava a expressão pensativa de Emílio, conjecturando em sua mente.
Fátima não aceitou ir ao escritório e acabara de falar sobre comissões e bônus, deixando claro que queria que Emílio lhe fizesse justiça.
Ema já previra que Fátima faria um escândalo ao voltar, só não sabia como Emílio agiria.
Enquanto Ema especulava, Emílio foi direto ao ponto:
— Fátima, você conseguiu o contrato, mas todo o ensaio foi feito pela Ema. Além disso, hoje é o último dia do prazo, o que significa que ela fez todo o trabalho operacional. Portanto, em relação a todos os valores desse projeto do Grupo Salazar, Ema fica com 70% e você com 30%.
Emílio falou num tom de constatação, ou melhor, de notificação.
Ao ouvir isso, Fátima levantou-se da cadeira num salto, com a expressão ainda mais sombria. Ela protestou com a voz embargada:
Vendo-a consumida pela fúria, Ema sentiu uma onda de constrangimento, ampliada pelos olhares diversos no estúdio. Sentia-se extremamente desconfortável.
Ela já temia que entrar no Estúdio de Sonho sem passar pelo processo seletivo gerasse especulações, e agora, parecia que esse receio se tornara realidade.
No entanto, a carga de trabalho do dia fora intensa e ela realmente não tinha energia para discutir com Fátima. Confiava que Emílio, como patrão, resolveria a situação adequadamente.
Quando Ema voltou à sua mesa, Vânia correu atrás dela.
— Ema, deve estar exausta hoje, né? Não ligue para o que a Fátima disse. Ela é famosa por ser mercenária. Mesmo que não fosse você, se qualquer um do Estúdio de Sonho tirasse uma fatia do bolo dela, ela faria essa mesma cara. Senão, por que a assistente dela teria fugido enquanto ela estava internada? Isso é traição, é algo grave no nosso meio.
Ema franziu levemente a testa e perguntou em voz baixa:

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