Ema se assustou com aquela atitude repentina. Tentou se debater e resistir, mas Alípio a abraçou com ainda mais força, como se ela fosse desaparecer no instante em que ele a soltasse.
A respiração dele estava acelerada e descompassada. Pouco depois, o beijo ficou mais suave e envolvente. Após longos instantes de carícias intensas nos lábios, ele passou a beijar o rosto e o pescoço dela.
A lanterna do celular já tinha sido apagada por ele em algum momento.
Naquele espaço mergulhado na escuridão, só se ouvia a respiração cada vez mais pesada dos dois.
Ema sentiu um arrepio de alerta. Encolheu os braços, apoiou-os contra o peito dele e chamou, tensa:
— Alípio...
Percebendo o leve tremor no corpo dela, ele interrompeu os beijos e murmurou com a voz rouca:
— Está com medo de quê? Eu só queria te beijar. Mesmo que quisesse fazer algo a mais, eu nem tenho forças agora...
Ema:
— ...
Ema desviou o corpo, sentindo as bochechas esquentarem de repente.
Alípio a envolveu por trás, aproximou-se do ouvido dela e sussurrou:
— Mas, se você estiver decepcionada, eu posso até tentar.
Ema o empurrou rapidamente e se encolheu de novo no canto onde estava antes.
Alípio soltou um sorriso amargo e a puxou de volta:
— Senta direito. Daqui para a frente, sem a sua permissão, eu não vou...
Depois de dizer isso, ele a envolveu com cuidado nos braços.
— Se este momento não fosse aqui, acho que eu seria o homem mais feliz do mundo.
Ema não respondeu. Sua mente estava um caos, misturando passado e presente.
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