Ao ver a entrada do túnel cada vez mais próxima, Alípio pegou o celular e ligou às pressas para Ema, mas, por algum motivo, ela não atendeu.
Ele tentou várias vezes seguidas, mas nada.
A primeira ideia foi ultrapassá-la e fechar a frente do carro dela. Só que a faixa da esquerda estava tomada por veículos em alta velocidade, e pela direita não havia espaço.
A aflição de Alípio só aumentava — e foi exatamente nesse instante que o carro de Ema entrou no túnel.
Ele chegou a pensar em parar no acostamento, mas o medo de que algo acontecesse com ela falou mais alto. Justo então abriu uma brecha na faixa da esquerda.
Alípio afundou o pé no acelerador e emparelhou com o carro dela.
Baixou o vidro, conferiu rapidamente o trânsito à frente e virou o rosto, gritando com toda a força.
Do outro lado, Ema pareceu notar alguma coisa. Franziu a testa, baixou o vidro, lançou-lhe um olhar desconfiado e, por segurança, voltou a prestar atenção na pista.
Quando surgiu outra oportunidade de olhar para o lado, viu Alípio gesticulando desesperadamente, mandando que ela atendesse o telefone.
Ao ver o desespero estampado no rosto dele, Ema esticou a mão direita até a bolsa no banco do passageiro. Assim que pegou o celular, deslizou o dedo para atender no viva-voz.
Na mesma hora, a voz autoritária e aflita de Alípio ecoou pelo aparelho:
— Não pergunta nada. Só segue o meu carro! Acelera e ultrapassa! Agora! E não desliga!
Assustada com o tom dele, Ema nem teve tempo de pensar. Respondeu de imediato:
— Tá bom.
Mas, no exato momento em que as palavras saíram da sua boca, um estrondo gigantesco veio da frente, como se alguma coisa tivesse explodido. O impacto foi tão forte que o carro inteiro tremeu violentamente.
Ema percebeu que o carro de Zuleika, logo à frente, tinha parado. Os veículos à frente de Alípio também frearam. Ao esticar o pescoço para tentar enxergar melhor, viu que tudo estava travado.
— Não tenha medo. Fica no carro e não se mexe. — A voz rouca de Alípio soou pelo celular.
Mas a mente de Ema ficou completamente em branco. Era como se uma mão invisível apertasse seu coração com tanta força que ela não conseguia respirar. Era o terror puro diante do desconhecido.

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