Usando a desculpa de que as crianças estavam olhando, ele praticamente empurrou Ema para o banco do passageiro.
Com o carro em movimento, os três pequenos comemoravam animados no banco de trás.
Quanto mais radiantes ficavam ao ver Alípio, mais melancólico ficava o coração de Ema.
Era a ausência prolongada da figura paterna que os fazia desejar tanto a presença dele.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Alípio com gentileza, enquanto dirigia.
Ema não respondeu. Ao perceber que estavam seguindo por outro caminho, franziu as sobrancelhas e perguntou:
— Esse não é o caminho de casa. Pra onde você está levando a gente?
Alípio deu um sorriso discreto, olhou para as crianças pelo retrovisor e disse:
— O papai vai levar vocês a um restaurante incrível. O que acham?
Antes que Ema pudesse protestar, as crianças já batiam palmas de alegria, concordando com entusiasmo.
Vendo a empolgação delas, Ema sabia que recusar de forma brusca seria como jogar um balde de água fria em toda aquela animação.
Conformada, forçou um sorriso, pediu que ficassem sentados direito e parassem de gritar, e não disse mais nada.
Logo, o carro chegou à entrada de um clube sofisticado nos arredores da cidade.
Embora não ficasse no centro, o estacionamento estava cheio de carros de luxo. Ema notou que todas as pessoas que desciam dos veículos estavam acompanhadas de crianças; parecia ser um local muito procurado por famílias.
Em meio às risadas dos pequenos, a equipe do local os conduziu, com toda a cortesia, até uma sala reservada.
O espaço era tão amplo e iluminado que lembrava um salão de festas. Parecia muito mais apropriado para um grande evento do que para um jantar privado.

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