Ema hesitou por um instante e abriu o documento devagar.
Era um formulário de inscrição para um curso avançado de fotografia, com nomes de vários mestres internacionais renomados. Com profissionais daquele nível na coordenação, conseguir uma vaga ali era quase tão difícil quanto entrar numa das melhores universidades do mundo.
Um curso daquele era o sonho de qualquer apaixonado por fotografia. Até Givaldo já tinha comentado sobre ele antes.
O fato de Glória conseguir uma vaga assim realmente a deixou surpresa.
Enquanto tentava entender onde a mulher queria chegar, Glória falou:
— Quando você se casou com o meu filho e desistiu da sua carreira na fotografia, isso foi uma exigência minha. A nora que a família Salazar quer é alguém capaz de trabalhar pelo Grupo Salazar ou ficar em casa cuidando do marido e dos filhos. Na época, achei que você não aceitaria e que recusaria o casamento. Mas, vendo que estava disposta a se sacrificar pelo meu filho, parei de interferir no relacionamento de vocês.
Glória falava enquanto tomava o café sem pressa alguma. E continuou:
— Não quero saber o que aconteceu entre vocês dois, mas a família Salazar não vai aceitar você de volta. Quero que isso fique muito claro.
Ema franziu a testa e respondeu friamente:
— Se a senhora tem algo a dizer, vá direto ao ponto.
Glória deu um sorriso elegante e disparou:
— Você é a fotógrafa da Vitra, não é? Dá para ver que esse casamento acabou ofuscando o seu talento. Seu estúdio está indo muito bem e, com a força do nome da Vitra, eu pude ver o quanto você é competente. Dizem que não se pode ter tudo na vida, e eu consigo enxergar o quanto você ama a fotografia. O quanto foi difícil conseguir essa vaga, imagino que você saiba muito melhor do que eu. Também entendo o quanto você deseja uma oportunidade dessas para evoluir.

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