Os poucos presentes trocaram olhares por um instante e viram apenas os lábios de Alípio se moverem, sem conseguir ouvir o que ele dizia.
Só vários minutos depois Alípio finalmente desceu do carro.
Ele caminhou a passos firmes até a frente do veículo e puxou Ema pelo braço:
— Vem comer comigo.
Ema tentou se soltar, já sem a menor paciência, e rebateu com irritação:
— Alípio, me solta. Você precisa mesmo fazer esse papelão em público? Desde quando te interessa com quem eu saio?
Alípio a encarou e perguntou:
— Você gosta dele?
Ema permaneceu em silêncio. Apenas lançou a Samuel um olhar carregado de emoções confusas. A expressão dele estava muito mais tensa do que antes, e ele já havia ligado o carro.
Naquele momento, a voz de Alípio soou de novo ao lado do ouvido dela:
— Ema, eu sei que vocês são muito próximos desde a infância, mas, sem a Zenóbia por perto, você acha apropriado se encontrar sozinha com ele?
Enquanto falava, Alípio não tirava os olhos do rosto dela:
— Não entendeu? Então eu explico. Pensando como homem, aceitar sair com ele é dar uma chance. Pelo menos é assim que ele vai interpretar. Você quer dar esperança a ele e acabar atrapalhando a vida dele?
Ema ficou sem palavras. O que Alípio disse fazia sentido. O fato de ela não ter segundas intenções não significava que Samuel também não tivesse.
— Anda, vem comer comigo. Depois do jantar, eu vou embora — disse Alípio, já puxando Ema em direção ao próprio carro.
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