Desde a discussão no escritório, quando ele chegou, até a atitude de agora, parecia que ele tinha duas personalidades. Será que Givaldo havia dito algo para provocar aquela mudança repentina?
Não, impossível. Givaldo com certeza ficaria do lado dela.
Ema não abriu a porta para ele e começou a andar de um lado para o outro no quarto, impaciente, enquanto ele voltava a bater.
Sem alternativa, ela pegou um travesseiro e uma manta fina no armário. Abriu só uma fresta da porta, o suficiente para passar os itens, e os jogou direto no rosto dele.
Mas, bem quando ela ia fechar a porta, Alípio usou a força para se enfiar para dentro. Parou ao lado da cama, lançou olhares discretos para o colchão aconchegante de Ema e disse:
— O tempo esfriou, a sala é muito grande e à noite fica gelada. Eu sinto muito frio.
— ...
Ema o encarou com severidade e rapidamente se afastou, mantendo distância.
Baixando a voz, disse friamente:
— Alípio, não abuse. Com quem você aprendeu a ser tão sem-noção? Você não entendeu nada do que eu te disse?
— Não entendi. Só sei que você ainda guarda alguma coisa por mim.
Alípio disse isso enquanto se sentava na cama, com toda a tranquilidade do mundo.
Ao vê-lo agir daquele jeito, Ema ficou ainda mais tensa. Ela não havia esquecido o que acontecera naquela outra noite ali...
— Saia agora mesmo, ou eu vou gritar — advertiu Ema.
Alípio respondeu preguiçosamente:
— Pode chamar o Givaldo. Se ele entrar, eu conto que, agora há pouco, a gente estava fazendo coisas bem íntimas.
— Você! — Ema lançou-lhe um olhar furioso e caminhou rápido em direção à porta.
Mas, para chegar até lá, precisava passar bem na frente dele.
Ela tentou manter a maior distância possível da cama, mas, no instante em que passou, foi agarrada. Com um puxão firme, Alípio a trouxe para os braços dele e a fez sentar em seu colo.

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