Ela enxugou as lágrimas do rosto. Ao ligar o computador, seus movimentos eram duros, carregados de contenção, e o som das teclas ecoava alto a cada batida. O brilho em seus olhos ficava cada vez mais frio e implacável.
Alípio Salazar ficou parado por um instante, sem saber o que fazer.
Depois de hesitar por um bom tempo, caminhou devagar até a mesa e disse:
— Ema, quero te pedir uma coisa. Será que amanhã à noite você poderia jantar com a minha família?
Sem tirar os olhos da tela, Ema Pacheco continuou digitando e respondeu friamente:
— Sua família? Quem, exatamente?
Alípio se corrigiu às pressas:
— Eu me expressei mal. Amanhã à noite, meus pais e meu avô gostariam de conhecer as crianças. Eles... também só ficaram sabendo de tudo pela transmissão ao vivo. É só um jantar, sem segundas intenções.
Ema parou de digitar. Já não havia tristeza em seu rosto, apenas hostilidade e resistência. Em tom gélido, ela disse:
— Alípio, você já ficou a sós com as crianças várias vezes. Em algum momento perguntou onde estava o pai delas?
Alípio franziu a testa. Pela expressão dele, a resposta era não.
Ema se levantou devagar e disse, com a voz calma:
— Para ser sincera, desde que elas começaram a falar e entenderam o que era um pai, eu sempre disse que o pai delas estava morto.
— Ema! — Ao ouvir aquilo, o olhar de Alípio escureceu de repente. Ele deu um passo à frente e exigiu: — Por quê? Por que você faria uma coisa dessas?


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