Assim que a vendedora pegou as coisas nas mãos, esfregou-as na cara da mulher e ironizou:
— Vai ser no dinheiro, no cartão ou no PIX? Toma, paga logo! Quero ver que desculpa você vai inventar agora.
A mulher encarou os aparelhos nas mãos da vendedora e seu rosto ficou instantaneamente lívido.
Para qualquer um, aquela era a cara de quem não tinha um tostão para pagar. Isso não provava que ela realmente queria roubar os lenços?
Nesse momento, Hortensia cutucou Ema com o cotovelo e sussurrou:
— Roubar esses lenços dá algum dinheiro? Ou tem outra utilidade?
Ema balançou a cabeça, desviou o olhar e voltou a observar as roupas.
Hortensia sugeriu:
— Ema, esses dois conjuntos estão ótimos. Vamos pagar logo e ir embora, que isso aqui está virando uma bagunça.
— Tá bem.
As duas foram até o caixa, enquanto, não muito longe, o grupo ainda proferia insultos contra a mulher.
A vendedora que estava no caixa e tinha sido chamada de estagiária correu rapidamente para pegar a placa do PIX. Aquela outra vendedora, que estava exigindo o pagamento da mulher, ao ouvir que alguém iria pagar uma conta, abriu um sorriso largo e apressou-se em ir até o balcão.
A saída dela acabou abrindo a visão da mulher que havia tentado furtar os lenços. Em meio às ofensas das outras vendedoras, ela olhou fixamente para Ema.
Essa cena foi notada por Hortensia, que puxou a manga de Ema e sussurrou:
— Ema, você a conhece?
Ema olhou de lado, cruzou o olhar com a mulher e então desviou os olhos de volta, respondendo:
— Não conheço.
— Mas o jeito que ela te olhou parecia de quem te conhece.
Assim que Hortensia terminou de falar, a mulher correu subitamente, atirou-se aos pés de Ema, abraçou suas pernas e implorou aos prantos:
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