Ema franziu a testa e foi para o banheiro.
Hortensia não deixava de ter razão. Ela poderia retrucar rispidamente a qualquer outra pessoa, mas os pais de Alípio realmente não a haviam provocado em nenhum momento, além do fato de que, ao meio-dia, ela os tinha deixado esperando por uma hora.
Embora a fala de Glória, agora há pouco, tivesse um tom de acusação, talvez por causa do status que possuía, ela não tinha dito nada muito ofensivo.
Se fosse Catarina Ferreira no lugar dela, e ainda por cima acreditando que Ema havia traído seu filho, com o gênio que Catarina tinha, certamente teria cuspido as palavras mais horríveis imagináveis.
Ema saiu do banheiro e fez questão de ficar um tempo em outro lugar antes de caminhar de volta para o escritório.
Assim que chegou à porta e estava prestes a estender a mão, ouviu Alípio dizendo lá dentro:
— Pronto, mãe, você já pode ir para casa. Não apareça mais de surpresa assim e não diga nada sobre a Ema. Quando eu chegar em casa, converso direito com você. Enfim, eu já decidi que vou ficar com a Ema.
Em seguida, ouviu Glória falando em voz contida:
— Filho, acho que você perdeu o juízo. Ela te traiu e ainda por cima teve filhos com outro homem! Você não perdeu o juízo, fizeram uma macumba muito forte em você.
— Tá bom, tá bom, fizeram macumba, eu fui enfeitiçado. Agora vá logo para casa. O vovô Diogo vai voltar do retiro daqui a alguns dias, então faça o favor de começar a organizar a festa de aniversário dele.
Ao ouvir até ali, seguiu-se um som que parecia de tapinhas e, quando os passos começaram a se aproximar, Ema rapidamente correu para se esconder na sala ao lado.
Escondida na sala, Ema só saiu quando o som dos saltos altos do lado de fora ficou cada vez mais distante.
Quando abriu a porta do escritório, percebeu que Alípio não tinha ido embora.
Ema o olhou friamente, com uma expressão gélida, e caminhou diretamente para se sentar atrás da mesa de trabalho. Disse, sem a menor paciência:
— Sua mãe mandou eu não ficar atrás de você. Então dá o fora daqui.
Alípio deu um sorriso amargo, caminhou até a cadeira à frente da mesa, sentou-se e falou em um tom sincero:
— Desculpa. Eu liguei pedindo para ela ir para casa; nunca imaginei que ela viria direto para cá. Ela não te tratou mal, tratou?
Ema não lhe deu atenção e não desviou o olhar da tela do computador.
Alípio apenas presumiu que ela estava chateada, então não foi embora. Só apoiou o queixo na mão e ficou observando Ema fixamente.



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