Ema respondeu com um sorriso leve:
— Zuleika, eu cresci. Não sou mais aquela garotinha ingênua e frágil. Fazer esse favor a ela e deixá-la seguir com a vida faz parte dos meus planos.
Zuleika ficou surpresa por um momento, mas logo apontou o dedo indicador para Ema:
— Ora, sua espertinha, eu nem tinha percebido. Achei que aquele choro e aquela ajoelhada tivessem amolecido o seu coração de novo.
Ema suspirou suavemente:
— Zuleika, no começo, ela achou que eu estava tentando extorqui-la, por isso teve más intenções comigo. No fundo, a família inteira depende dela. Ela é sensível e tem tanto medo de perder o que conquistou justamente por causa da família. Pensando por esse lado, ela não parece ser uma pessoa puramente maldosa.
Zuleika retrucou:
— Pode não ser a maldade em pessoa, mas também não é flor que se cheire. Poxa, eu também já passei por dificuldades e nem por isso saí prejudicando os outros, né? Elas não querem se vingar de Helena? Quando a hora chegar, não se envolva diretamente. Fica só nos bastidores, jogando lenha na fogueira, e deixa que elas se devorem. E, olha, não me leve a mal, mas, no mundo em que vivemos, isso acabou virando só um meio de autodefesa.
— Você não está errada, tem toda razão. — Ema sorriu de forma encantadora e, em seguida, perguntou: — A propósito, Zuleika, você ainda não me disse o que queria falar comigo.
Zuleika deu um tapa na própria testa:
— Olha só a minha cabeça. Fiquei tão atordoada com toda a confusão da Fátima que até esqueci.
Dito isso, Zuleika tirou um documento da bolsa e o entregou a Ema:
— Dá uma olhada neste projeto. Para ser sincera, é um trabalho por fora que eu peguei!
Ema ficou atônita por um instante e perguntou, confusa:
— Zuleika, isso é um grande tabu na nossa área. Se o pessoal da Casa de Luz descobrir, você não só vai perder o emprego como também vai arruinar a própria reputação.
Zuleika suspirou, com expressão abatida, e desabafou com indignação:
— A diretoria usa de todos os meios para explorar a gente. Por que a gente não pode pegar um trabalho por fora? Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo.
— Zuleika, isso é muito arriscado. Por que você não pede demissão e vem trabalhar direto comigo? — Ema não conseguiu deixar de aconselhá-la.
Zuleika fez um gesto com a mão, sem dar muita importância, e disse com suavidade:

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