Do lado de fora da sala de emergência do Hospital.
Marcos andava de um lado para o outro diante da porta, fingindo ansiedade.
Ema estava sentada no banco em frente, esfregando as mãos suadas sem parar, levantando os olhos de vez em quando para ver se a luz acima da porta havia se apagado.
Seu coração estava em completo tumulto, e o pavor que sentira ainda não tinha passado.
Na escadaria, instantes atrás, ela viu claramente que ele estava com os pés firmes no chão e as costas voltadas para a parede, não para o vão livre.
Logicamente, com a força do empurrão que ela deu, mesmo que ele tropeçasse, deveria ter caído em direção à parede.
Além disso, ela se lembrava de que uma das mãos dele estava firmemente agarrada ao corrimão...
Como ele acabou rolando escada abaixo?
E mais: quando ela escorregou, ele a puxou com tanta rapidez... como foi que ele próprio acabou caindo?
Marcos, por sua vez, embora aparentasse ansiedade enquanto caminhava, lançava olhares furtivos para Ema. Ao notar que a expressão dela ficava cada vez mais tensa e pálida, apressou-se em dizer:
— Sra. Pacheco, não se preocupe tanto. Os médicos daqui são excelentes, o Sr. Salazar vai ficar bem.
Ema assentiu algumas vezes, atordoada, como resposta.
Marcos continuou a confortá-la:
— Sra. Pacheco, lembra daquela vez em que ele foi até as montanhas perguntar à Isabel sobre você e acabou caindo de um barranco? Naquela ocasião ele não se feriu gravemente, então esses poucos degraus não são nada. Fique tranquila.
Talvez as palavras de Marcos tenham ajudado a acalmar um pouco a mente conturbada de Ema.

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