— O que você quer comigo?
Zenobia franziu a testa, apontou para a mesa de centro e depois deu um leve toque na mesa do escritório. Com a voz quase em sussurro, disse:
— Eu trouxe tudo o que tenho. Obrigada... muito obrigada por ter me salvado, Sr. Salazar.
Alípio soltou um breve resmungo frio e não respondeu.
Zenobia ficou sem entender. Será que ele achou pouco? Ou ainda guardava rancor pelas vezes em que ela defendera Ema e tinha sido grossa com ele sem pensar duas vezes?
O coração de Zenobia disparava enquanto ela falava com cautela:
— Sr. Salazar, eu sei que usar tudo isso para retribuir o fato de o senhor ter me salvado é quase nada, mas é tudo o que eu possuo. Sua grande ajuda, eu vou continuar retribuindo no futuro.
— E como pretende retribuir?
Alípio franziu levemente a testa, semicerrando os olhos ao lançar em Zenobia um olhar afiado.
Bastou um segundo de contato visual para que Zenobia entendesse a intenção por trás daquele olhar.
Se não estivesse enganada, ele certamente faria exigências. Primeiro, que ela não interferisse em suas tentativas de reconquistar Ema. Segundo... era bem possível que exigisse a ajuda dela nesse processo.
Não. Isso não. Isso não seria diferente de aceitar suborno para vender uma amiga.
Enquanto pensava em tudo isso, Zenobia respondeu:
— Vou trabalhar muito para ganhar dinheiro e pagar o senhor. Além disso, não sei fazer mais nada.
Zenobia foi direta, deixando sua posição bem clara.
Assim que terminou de falar, a voz fria de Alípio soou de novo:
— Quanto dinheiro você acha que basta para comprar de volta mais de dez anos da liberdade de uma pessoa?
Zenobia ficou sem palavras.
Ele quis dizer que ela não conseguiria pagar, e, de fato, era verdade.
Por um instante, Zenobia perdeu a voz. Quando tinha razão, enfrentava até o próprio diabo.
Mas agora...

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