Ema ficou perplexa.
Alípio, aquele canalha, conseguiu fazê-la passar pela maior vergonha da sua vida!
Ele estava deitado de lado, sem camisa, no mesmo lugar onde estava abraçado a ela agora pouco, e ainda dormia profundamente.
As bochechas de Ema começaram a esquentar cada vez mais, o calor intenso a deixava ainda mais envergonhada, a ponto de querer enfiar a cabeça debaixo das cobertas.
Ela tentou afastar o braço dele, mas Alípio, ainda meio dormindo, puxou-a com força, fazendo com que Ema, que mal havia se levantado, caísse de volta em seus braços, apertando-a contra si.
— Cof... — O médico responsável colocou a mão fechada na frente dos lábios e tossiu de leve, dizendo:
— Sra. Pacheco, como está se sentindo? Se não houver outros sintomas, pode tomar o café da manhã daqui a pouco e depois continuaremos com a medicação na veia.
Presa na cama, Ema enfiou o rosto no travesseiro e respondeu, gaguejando:
— Tudo... Tudo bem.
— Então... Vocês... Descansem bem. — disse o médico responsável.
Ao ouvir isso, Ema não respondeu. Apenas escutou os passos dispersos da equipe se afastando, misturados com alguns sussurros.
Ela não sabia onde enfiar a cara.
O vexame foi gigantesco. E se eles tivessem reconhecido Alípio? Se isso se espalhasse...
Enquanto pensava nisso, Ema deu um tapa forte no braço dele:
— Levanta!
Foi pior ter falado. Com isso, Alípio a abraçou ainda mais forte. De olhos fechados, disse com uma voz preguiçosa:
— Faz anos que não durmo tão bem. Vamos dormir mais um pouco, não vou trabalhar hoje.
Ema, vendo-o daquele jeito, sentiu a raiva subir à cabeça.
Ela não achou que tinham se resolvido na noite passada? E ele teve a audácia de se esgueirar para a cama dela enquanto ela dormia?!
Que palhaçada era aquela agora?


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