Ema piscou, voltando a si, e depois de um breve momento, perguntou com uma voz distante:
— Anos atrás... por que você deixou Helena ir embora?
Alípio foi pego de surpresa pela pergunta. Ele não sentiu que Ema o estava interrogando, nem imaginava que ela desenterraria o passado daquela forma.
Pelo que ele conhecia dela agora, ela só questionaria as decisões do passado se já estivesse cogitando uma reconciliação.
Mas a atitude atual dela deixava claro que ainda nutria uma forte rejeição por ele. Ou pior, ela sentia tanto desdém que sequer se dava ao trabalho de resistir.
Então... haveria a possibilidade de...?
Alípio ignorou a pergunta dela e rebateu de forma ríspida:
— Foi ela quem foi atrás de você ontem? O que ela te fez?! Para deixar você nesse estado lamentável!
Ema: ...
Como funcionava a cabeça daquele homem? Ela apenas tinha ouvido um boato e queria confirmar com ele, só isso.
Mas Ema mudou a linha de pensamento e, seguindo a lógica dele, respondeu com indiferença:
— E se fosse ela, qual seria o problema? Ela não me tratava exatamente assim no passado?
Enquanto falava, Ema virou levemente o corpo para encará-lo, com um olhar que não expressava raiva, nem calor.
Assim que as palavras pairaram no ar, as veias na testa de Alípio saltaram, e seu olhar, antes perplexo, tornou-se afiado como uma lâmina.
— Se foi ela, pode ter certeza de que os dias de paz dela acabaram.
O tom de Alípio não era exaltado, mas carregava uma frieza sombria que causava arrepios.
Antes que Ema pudesse dizer qualquer coisa, ele se levantou, apoiou as mãos na cama e se inclinou sobre ela, perguntando:
— O que exatamente ela te fez? Durante o dia, como vi que você dormia profundamente, não pedi ao médico para examinar seu estado geral. Você se machucou em mais algum lugar?
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