— Vá resolver isso. — a voz implacável de Alípio o interrompeu antes que Marcos pudesse terminar a frase.
Marcos hesitou por alguns segundos antes de responder:
— ...Sim, vou providenciar agora mesmo. E quanto a mim esta noite...
Alípio respondeu em tom neutro:
— Há um hotel em frente ao hospital. Hospede-se lá por conta da empresa. Vá.
Vendo que o olhar do chefe não desgrudava do rosto de Ema, Marcos achou melhor não argumentar mais. Confirmou com a cabeça e saiu rapidamente do quarto.
....................
O céu começou a escurecer. A brisa que entrava pela fresta da janela já trazia um leve frescor, anunciando que o clima estava prestes a mudar.
Na cama do hospital, Ema abriu os olhos lentamente.
Ela piscou algumas vezes. Não havia nenhuma luz forte agredindo sua visão, apenas um abajur de chão aceso de forma suave no canto do quarto.
As paredes em tons pastéis de azul e branco, somadas aos lençóis com a discreta estampa de uma cruz, deixavam claro que ela estava em um hospital.
Ema moveu o olhar devagar até notar a figura do homem debruçado ao lado de seu braço.
Pelo corte de cabelo e pela silhueta, reconheceu de imediato que era Alípio.
Em silêncio, ela relembrou o momento em que o viu na mercearia.
Naqueles olhos avermelhados, havia dor e um desespero evidente...
Ela lembrava de ter sido carregada para dentro do carro, de ter tomado alguns goles de água e, vencida pela exaustão, ter apagado logo em seguida.
— Zenobia...
Como um flash, o nome escapou de seus lábios quase de forma involuntária. Ela se lembrava que Zenobia também estava lá. Por que só ele havia ficado no quarto?
Ema tocou a própria testa e sentiu que a febre já havia cedido. Olhou mais uma vez para Alípio, que continuava dormindo debruçado, e tentou se levantar, afastando as cobertas com cuidado.

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