Ema não queria perder mais tempo ali. Olhou para as coisas no chão e disse com frieza:
— Entregue isso para quem você deve entregar. Meus filhos não precisam, eu mesma posso comprar o que eles quiserem.
Depois de dizer isso, Ema caminhou direto até Hortensia, deu algumas instruções rápidas e foi para o estacionamento.
Ema voltou para casa.
Antes de chegar, passou no supermercado e comprou os ingredientes favoritos das crianças. Queria preparar um jantar farto e delicioso para eles naquela noite.
Ao cair da tarde, calculando a hora em que as crianças chegariam.
Ema começou a trabalhar na cozinha.
Cozinhando no vapor, fervendo, várias panelas no fogo ao mesmo tempo.
Quando ouviu o barulho da porta abrindo, Ema olhou para as panelas ferventes sem poder se afastar, então gritou:
— Vânia, não deixe as crianças virem para a cozinha, não é seguro. Leve-os primeiro para lavar e desinfetar as mãos. O jantar já vai ficar pronto.
Depois de falar, Ema ouviu vários passos indo em direção ao banheiro.
Pouco depois, pelo canto do olho, viu Hortensia de pé do outro lado da bancada da cozinha.
O olhar de Ema alternou entre o fogão e Hortensia:
— Você os ajudou a lavar as mãos, não é? Vá descansar na sala, logo teremos comida deliciosa.
Ema disse com um sorriso leve, fazendo um gesto para que Hortensia saísse logo da cozinha.
Mas Hortensia ficou parada, com uma expressão culpada. Ela moveu os lábios, prestes a dizer algo, quando uma figura alta e imponente passou por ela e entrou direto na cozinha.
Foi então que Hortensia fugiu às pressas. Tinha medo de levar uma bronca de Ema, e embora Ema nunca tivesse brigado com ela, a situação era bastante atípica.
Ema, que talvez não tivesse mais Hortensia em seu campo de visão periférica, concentrou-se no trabalho no fogão.
Foi apenas quando sentiu a presença de alguém atrás de si que se virou para olhar.
E ao ver quem era, tomou um susto tão grande que a espátula de silicone quase caiu no chão.
O homem alto e robusto a pegou rapidamente. E, em vez de devolvê-la, esticou o braço por cima do ombro de Ema para mexer a comida na panela.
Em um instante de confusão, Ema deu alguns passos para o lado e gaguejou:
— O... o que você está fazendo na minha casa?!
Alípio parou o que estava fazendo, olhou para ela e voltou a mexer a comida, respondendo em tom suave:
— Vá perguntar aos pequenos donos da casa. Se eles quiserem que eu vá embora, eu vou imediatamente.
Assim que ele terminou de falar, por pura coincidência, os três pequenos correram para a cozinha.
Eles se enfileiraram obedientemente, debruçando-se sobre a bancada, com os olhinhos atentos para ver se havia algo gostoso no fogão.
Érica olhou para Alípio e depois para Ema, dizendo com sua vozinha doce:
— Mamãe, por que o tio está cozinhando na cozinha? Nós o convidamos para agradecer. Então ele é visita, e visitas devem esperar sentadas na sala.
— É verdade.
— É verdade.
Os outros dois meninos concordaram com curiosidade.
Ema olhou para eles, sentindo-se dividida. Se ela os repreendesse naquele momento, inevitavelmente machucaria seus corações infantis.
Afinal, pelo tom de Érica, Ema percebia que a menina devia ter ficado com muito medo quando seu nariz sangrou, e via Alípio como um herói, por isso o convidara com tanto entusiasmo.
Ser grato a quem lhe ajudou era algo que ela mesma os havia ensinado...

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