Enquanto falava, ela não deixou de virar a cabeça apreensiva para olhar Érica. Ela não sabia o que Marcos estava dizendo, mas o rosto dele estava cheio de expressões teatrais, e a menina ria às gargalhadas.
Só quando perdeu Érica de vista, Ema percebeu que Alípio já a havia arrastado para o patamar da escada, e a porta se fechara atrás deles.
— Ema... — Alípio chamou com uma voz profunda e carregada de tristeza.
Ema tentou se soltar novamente e, dessa vez, Alípio aproveitou o momento para soltá-la, dizendo em tom de conciliação:
— Eu escutei em silêncio até você terminar tudo o que tinha para dizer. Agora, ouça o que eu tenho a dizer, sim?
Ema ergueu a cabeça, seu olhar gélido percorrendo o rosto dele, e perguntou:
— Os assuntos mais comentados nas redes sociais foram obra sua, não foram?
No escritório do Estúdio Olhar Nobre, por meio da análise de Givaldo e de observar atentamente as publicações quando chegou em casa.
Pelos ângulos das fotos, Ema conseguia se lembrar vagamente da pessoa que estava posicionada naquele local.
Considerando sua experiência como fotógrafa e o tipo de pessoas no evento, aquela pessoa não parecia um repórter, e as fotos aparentemente não foram tiradas pela mesma pessoa.
Para alguém com a posição de Alípio, mesmo que andasse sozinho pelo salão do banquete, sempre haveria seguranças nas sombras de olho em tudo ao seu redor.
Sem a permissão dele, quem ousaria fotografá-lo daquele jeito? E quem teria a ousadia de escrever e publicar aquilo?!
Portanto, Ema tinha certeza de que fora algo autorizado por Alípio, ou, muito provavelmente, um arranjo de última hora feito por ele.
Ema sentiu um nó na garganta. Sim, o cartão que Zenóbia lhe entregara com o seu salário já não era o mesmo cartão antigo dela.
Em suma, depois de escapar do shopping, ela apagou todas as suas informações.
Os pensamentos de Ema também voaram para longe com aquelas palavras, e logo a voz de Alípio soou novamente em seus ouvidos:
— Ema, eu conheço pessoas na polícia. Se eu pedisse a eles que procurassem você... imagino que não seria algo impossível. Mas quando eu pensava que, para se esconder de mim, você preferiu viver anos fugindo como uma criminosa...
Nesse ponto, Alípio fez uma pausa. Ele se virou de costas para Ema, tentou recuperar o controle das emoções e continuou:
— Pensei mais de uma vez que você devia me odiar profundamente e que faria qualquer coisa para me deixar. Qual seria o sentido de procurar por você? Mas, por alguma razão, eu não conseguia deixar para lá, simplesmente não conseguia te esquecer. Na época, mandei o Marcos encontrar você a qualquer custo, e essa ordem nunca foi revogada...

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