Dário Pacheco e Kleber Pacheco estavam sentados, um na perna esquerda e outro na perna direita de Alípio.
Os dois pequeninos estavam firmemente envolvidos pelos braços musculosos do homem.
O forte contraste entre a figura imponente dele e os corpinhos frágeis transmitia uma inexplicável sensação de segurança.
Ema varreu o local com os olhos, mas não viu Érica. Ao dar alguns passos trôpegos para mais perto, ela finalmente notou...
A camisa cinza-clara de Alípio estava salpicada de manchas de sangue, uma visão que chocava os olhos...
A pausa nos passos de Ema chamou a atenção de Hortensia, que estava encostada na parede.
— Ema!
O grito de Hortensia fez com que todos os olhares se voltassem para ela.
Dário e Kleber escorregaram imediatamente do colo de Alípio e correram em direção a Ema:
— Mamãe! Mamãe!
— Sr. Machado! Sr. Machado!
Os dois meninos gritavam a plenos pulmões enquanto abriam os bracinhos.
Ema nem se importou se Alípio sabia ou não que ela era a mãe do "Trio Docinho". Ela se abaixou em um instante, abraçando as crianças com toda a força.
— Dário, Kleber, sejam bonzinhos. Como está Érica?
Ema perguntou, com os olhos ardendo de lágrimas contidas. Ela não ousava demonstrar muito pânico para não assustar os filhos.
Dário abraçou o pescoço da mãe e disse com uma expressão séria:
— A Érica sangrou muito, mas parece que ela não sentiu dor...
Antes que Dário pudesse terminar, Kleber se apressou em concordar:
— Uhum, mamãe, não se preocupe tanto. O nariz da Érica começou a sangrar de repente enquanto estávamos gravando.
Dizendo isso, Kleber se contorceu, apontou o dedinho para Alípio e continuou:
— Mamãe, foi aquele senhor que percebeu primeiro. Ele pegou a irmã no colo e correu do set até o estacionamento, ele correu muito rápido! Depois, a Sra. Hortensia nos colocou no carro para acompanhar.
Com a mente focada em Érica, Ema não quis prolongar aquela situação. Ela se levantou devagar e pediu a Hortensia que ficasse de olho neles.
Em seguida, voltou a caminhar, parando apenas ao chegar em frente à porta do consultório.
Samuel, que havia permanecido no mesmo lugar, limitou-se a acenar para as crianças. Ele não disse uma palavra.
Ao ver Ema se afastar, ele também deu um passo para segui-la.
Mas, logo nos primeiros passos, seus olhos se encontraram acidentalmente com os de Alípio.
O olhar afiado e ameaçador de Alípio rendeu-lhe uma revirada de olhos desdenhosa como resposta de Samuel.
Quando Samuel se aproximou de Ema, ele observou a situação no andar e a confortou com uma voz suave:
— Não fique tão angustiada. Este deve ser o consultório de um especialista, não a sala de emergência. Isso significa que a Érica está bem.
— Uhum...
Ema murmurou uma resposta inquieta. Seus passos não pararam, caminhando de um lado para o outro em frente à porta.

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