Ao ouvir as palavras de Henrique, Ema segurou o volante, imersa em pensamentos.
Visto por esse ângulo, Henrique não era só aquele playboy conquistador que ela imaginava.
Ela não esperava que ele fosse capaz de se colocar no lugar dela de forma tão compreensiva.
Pensando nisso, Ema respondeu:
— Obrigada pela sua consideração, Henrique. No entanto, não existe a menor possibilidade entre nós. Você não é o meu tipo, sinto muito.
Assim que terminou de falar, Ema fechou a janela.
Ela não queria se justificar demais, mas fazê-lo recuar sem magoá-lo já era uma forma de retribuir o favor.
....................
À noite.
Depois do jantar, as crianças se reuniram para provar as roupas e os sapatos novos.
A casa inteira se encheu das risadas gostosas dos pequenos.
Ver aquela cena aqueceu profundamente o coração de Ema.
Nos próximos dias, ela planejava descansar bem antes de decidir se abriria seu próprio estúdio ou se trabalharia para outra empresa.
Mais tarde, quando as crianças já tinham tomado banho e ido dormir.
Ema ficou sozinha no escritório, sentada em silêncio.
Sempre que estava chateada, ela tinha o costume de ficar sozinha, sentada até tarde da noite.
Ainda nem tinha conseguido provar o chá de frutas que Dona Rosa preparara quando ouviu batidas na porta do escritório.
Ema franziu o cenho, ouvindo os passos de Dona Rosa indo atender à porta.
A essa hora da noite, quem poderia ser?
Enquanto pensava nisso, ouviu batidas na porta do escritório.
Givaldo levantou os olhos, lançando um olhar afiado para Ema, seu tom carregado de questionamento:
— Diga, o que aconteceu? Qual o motivo?
— Givaldo, você está me culpando? Lembra que eu já tinha sugerido isso antes, e você recusou? Então, dessa vez, decidi agir primeiro e avisar depois...
Ema já havia previsto que isso aconteceria. Por causa dos anos de convivência, ela conhecia Givaldo, e ele certamente a conhecia bem.
Mas, estando preparada e usando a recusa da última vez que tentou sair como justificativa, tudo parecia muito mais natural e perfeitamente lógico.
Como esperado, essa resposta de Ema deixou Givaldo sem palavras.
Os dois ficaram em silêncio até Dona Rosa trazer o café e se retirar. Só então Givaldo voltou a falar:
— Eu conheço o seu gênio. Uma vez que toma uma decisão, não volta atrás...
Dizendo isso, ele pegou os documentos e os estendeu para Ema:
— Hoje, no escritório, eu fui um pouco rude, espero que não leve a mal. Aqui estão os projetos designados para você. Este seu amigo aqui não é nenhum capitalista cruel.

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