Os três deram risadas por alguns instantes. Então, o olhar de Givaldo pousou sobre a pilha de documentos que Ema colocara na mesa de centro. Ele perguntou, confuso:
— Ema, para que serve tudo isso?
Ema ficou em silêncio por um momento antes de responder devagar:
— Givaldo.
Ela chamou o nome dele num tom sério, depois virou os olhos para Carina e, de forma mais íntima, acrescentou:
— Carina.
Após chamá-los, Ema abriu um sorriso gentil e declarou:
— Givaldo, Carina, tenho algo importante para dizer a vocês. Eu... decidi deixar o 'Estúdio Olhar Nobre'. Vou abrir meu próprio negócio.
Sem dar tempo para que a expressão de choque de Givaldo se transformasse em palavras, ela logo emendou:
— O trabalho pendente nesses projetos já está concluído. A razão pela qual quero sair pode parecer um pouco egoísta, só peço que não fiquem chateados comigo...
Ema havia inventado uma desculpa focada no desenvolvimento da própria carreira e falou com tanta sinceridade e convicção que convencia qualquer um.
Em resumo, expôs seus motivos em tom definitivo, sem deixar brechas para ser convencida a ficar.
Ao ouvir as palavras dela, Givaldo silenciou, com um semblante visivelmente abatido.
Carina, porém, imediatamente pegou na mão de Ema e protestou de forma carinhosa:
— Ema, querida, será que na minha ausência o Givaldo fez alguma besteira? Se a empresa falhou com você em algo, é só falar abertamente. Por que pensar em ir embora assim?
A cabeça de Ema girava. O teatro de Carina era absolutamente impecável.
Por um segundo, ela quase acreditou que o encontro sombrio que tiveram na cafeteria fora apenas um pesadelo.
Tratando-se da arte da dissimulação, Ema sentia-se uma mera amadora.
Ema forçou um sorriso amargo, mas respondeu com voz suave:
De relance, ela captou a feição de Carina ao seu lado. Num ângulo em que Givaldo não podia enxergar, a expressão de Carina retornara à mesma frieza do dia na cafeteria...
Com uma amargura imensa, Ema decidiu que, assim que Givaldo terminasse de falar, ela daria meia-volta e sairia.
Entretanto, o tom de Givaldo atingiu um nível ainda mais gélido:
— Ema, eu não aceito a sua demissão.
Foi a primeira vez que Ema o ouviu usar aquele tom. No passado, Givaldo sempre falava com ela sorrindo, com a voz suave e compassiva.
Pelo visto, ele estava de fato furioso...
Ainda assim, ela não tinha escolha.
Ema se levantou lentamente, assumindo uma voz puramente burocrática:
— Sr. Amorim, a minha decisão de me desligar está tomada. Inclusive, o planejamento do meu novo estúdio já está em andamento.

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