Tanto em sua expressão quanto em sua postura, ele recuperou instantaneamente a aparência austera de antes de entrar no elevador.
Ema murmurou intimamente:
— ...
Aquele cafajeste ou era louco ou tinha esquizofrenia!
Ema o fuzilou com o olhar antes de sair do elevador, contrariada.
Ao sair, percebeu que havia algumas pessoas paradas de ambos os lados da porta. O olhar com que a analisavam fazia parecer que ela era uma mulher de má vida.
Ema ponderou:
— ...
No momento em que a porta do elevador se abriu, será que a visão dela estava bloqueada por Alípio e por isso não vira que havia pessoas lá fora?
Mas Ema logo deduziu que eles deviam estar parados ali antes, viram a cena em que Alípio a prensava contra a parede do elevador e, só então, adotaram aquele olhar.
Aos poucos, no entanto, Ema notou que os olhares deles varriam constantemente o seu vestido rasgado e o paletó que a envolvia.
Ema franziu a testa e abaixou ligeiramente a cabeça para ver. Aquilo...
Eles achavam que...
Ema sentiu suas bochechas esquentarem levemente. Ela já havia sofrido o desprezo por parecer pobre, mas nunca por algo assim.
Somando isso ao assédio esquizofrênico de Alípio no elevador agora há pouco, a raiva em seu coração pareceu explodir de uma vez.
Um sorriso indecifrável logo surgiu no canto dos lábios de Ema, mas seus olhos estavam afiadíssimos.
Ela apertou os lábios, adotou um tom de deboche e abriu a boca:
— O que estão olhando?! Nunca viram um casal flertando?!
Esse grito não assustou os espectadores, mas chocou Alípio.
— Des... Desculpe, foi tudo um mal-entendido, um mal-entendido.
Com rostos constrangidos e um tom de medo, todos pediram desculpas sinceras, um após o outro.
Alípio os olhou friamente e depois baixou os olhos para Ema, que continuava presa em seus braços, dizendo suavemente:
— Se não estiver satisfeita com isso, posso pedir aos seguranças que os expulsem.
Ema não sentiu muita alegria. Seu tom severo de antes não os havia feito recuar; só quando Alípio se aproximou é que adotaram aquela atitude.
Quer dizer que ela tinha que se aproveitar da sombra dele para ser respeitada?
Além disso, ela odiava aquele tipo de gente.
Essas pessoas não eram diferentes dos ricos que desprezavam os pobres e mudavam de atitude imediatamente ao encontrar alguém ainda mais rico.
No entanto, por mais que odiasse, Ema também não pretendia se prolongar naquilo. Ela afastou a mão de Alípio e começou a se retirar.

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