Os olhos de Zenobia Duarte brilharam e ela provocou:
— Você está prestes a se transformar, Ema.
O canto dos lábios de Ema Pacheco se ergueu levemente num sorriso sutil.
Ao lado, Henrique Sousa observava a postura de Alípio Salazar, que parecia ter vindo para fazer justiça. Sem pressa para cumprimentá-lo, ele apenas permaneceu ao lado de Ema, aguardando o desenrolar da situação.
Fátima Barros, por sua vez, sentiu o coração disparar ao ver a chegada de Alípio.
Considerando a forma como Helena Ribeiro a havia tratado, era impossível acreditar plenamente em tudo o que ela dizia no passado.
Então, a quem Alípio daria ouvidos? A Ema ou continuaria favorecendo Helena?
Fátima não fazia a menor ideia.
Se Alípio não se importasse com Helena, dada a sua inteligência e capacidade, como ele não teria percebido que tudo aquilo no passado fora obra dela?!
Ainda assim, ele não havia deixado a polícia responsabilizar Helena e, ao mesmo tempo, defendia Ema publicamente...
Aquele homem... será que amava as duas mulheres?
A cabeça de Fátima latejava de tanto pensar, mas ela não ousou fazer nenhum movimento precipitado.
Sentado no sofá, Alípio lançou um olhar gélido sobre o grupo antes de fazer um sinal para Marcos Vaz.
Marcos entendeu imediatamente e ordenou aos seguranças que dispersassem a multidão de curiosos.
Os passos de Ema hesitaram por um momento, até que Henrique segurou seu braço:
— Tem uma mesa vazia ali perto, vamos nos sentar lá.
Ele pensou que, se todos fossem expulsos da área ao redor de onde Alípio estava, o espaço ficaria vazio, e seria extremamente constrangedor se apenas Zenobia e eles dois ficassem ali.
— Onde estão as provas de que ela roubou a sua pulseira?
Lucinda respondeu entre soluços:
— A minha sumiu e, por coincidência, vi que ela usava uma idêntica no pulso. Quando a questionei, ela não soube explicar a origem da joia. É uma edição limitada que você me deu, quase não existem outras iguais, como poderia ser apenas uma coincidência?
Lucinda continuava enxugando as lágrimas, mas, devido à presença de Alípio, e apesar da dor latejante no tornozelo, não ousou chorar em voz alta.
Quanto às provas, ela realmente não vira a mulher roubar o objeto, mas a pulseira era exatamente igual à sua.
Além disso, a mulher vestia roupas falsificadas e não parecia acompanhada por nenhum homem rico ou poderoso. Como ela teria dinheiro para comprar uma joia tão valiosa?!
Edson bateu na própria testa e esbravejou entre dentes para ela:
— Você não tem provas e armou esse barraco todo aqui?! Você só pode estar querendo me enlouquecer!

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