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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 379

A juíza olhou diretamente para Ema.

— A senhora se opõe, em tese, a qualquer vínculo futuro entre os menores e o pai biológico?

Ema respirou fundo antes de responder.

Era uma pergunta-chave.

E sabia disso.

— Não, Excelência. Eu me oponho a qualquer aproximação imposta, precipitada ou construída em ambiente de pressão e insegurança.

A juíza assentiu levemente.

— Então o ponto central, do seu lado, não é a existência da figura paterna em si, mas a forma e o contexto da eventual introdução dessa figura na vida das crianças.

— Exatamente.

A magistrada baixou os olhos para as anotações e tornou a perguntar:

— Por que a senhora não procurou o pai biológico ao longo desses anos?

A sala inteira pareceu ficar mais silenciosa.

Ema já tinha ensaiado essa resposta.

Mesmo assim, sentir todos os olhares concentrados nela foi diferente.

— Porque, no contexto em que saí daquela relação, eu não tinha confiança mínima de que eu ou meus filhos estaríamos seguros em contato com ele. Naquele momento, a minha prioridade não era discutir o direito abstrato de um adulto de ser informado. Era garantir proteção concreta a três crianças muito pequenas.

A juíza não demonstrou reação. Apenas continuou:

— A senhora considera que ainda hoje os menores correm risco em contato com ele?

Ema pensou por um segundo antes de responder.

Precisava ser precisa.

— Eu considero que qualquer aproximação neste momento, sem avaliação adequada e sem contenção clara, representa risco de instabilidade emocional e de quebra de segurança. E também considero preocupante a forma como ele tem tentado se aproximar de mim e do entorno das crianças.

A juíza tomou nota e então perguntou:

— A senhora acredita que, com acompanhamento técnico e tempo, poderia existir algum modelo seguro de construção progressiva de vínculo?

Ema sentiu o peso da pergunta.

Era ali que muitas mães, por desespero, diziam “nunca”.

Ela mesma, no fundo do peito, queria dizer exatamente isso.

Mas sabia que o “nunca” absoluto podia soar como rigidez vingativa.

— Eu acredito que qualquer coisa envolvendo meus filhos precisa ser construída a partir do interesse deles, e não da urgência de um adulto. Se, um dia, técnicos independentes e o próprio juízo entenderem que existe condição real de segurança, adaptação e respeito ao tempo deles, isso pode ser analisado. Mas não agora, e não dessa forma.

Helena baixou os olhos por um instante.

Givaldo, ao fundo, também permaneceu completamente imóvel.

A resposta tinha sido boa.

Muito boa.

— Porque durante muito tempo eu procurei uma mulher que havia desaparecido completamente e porque, por falhas que reconheço hoje, não tive acesso correto ao que deveria ter sido apurado. Quando finalmente consegui remontar os fatos com segurança, já me deparei com quatro anos perdidos.

A formulação era boa.

Muito boa.

Boa o bastante para irritar Ema de novo.

Porque havia verdade parcial ali.

E verdades parciais, nas mãos certas, podem ser quase mais perigosas do que mentiras completas.

A juíza voltou a anotar.

— O senhor reconhece ter feito abordagens inadequadas à mãe?

Desta vez, Alípio demorou um pouco mais.

— Reconheço que, ao reencontrá-la, perdi o controle em alguns momentos.

A resposta fez algo ferver no estômago de Ema.

“Perdi o controle.”

Como se o problema fosse uma abstração emocional e não o corpo dela empurrado, segurado e invadido.

Mas ela permaneceu em silêncio.

Porque agora sabia exatamente onde precisava vencer: no controle.

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