Ema deu um tapinha no ombro do garçom e disse gentilmente:
— Pode voltar ao trabalho. Boa sorte.
O rapaz abriu um sorriso jovem e luminoso:
— Poxa, foi um prazer te conhecer, Ema. A gente pode trocar contato?
— Claro. — Ema assentiu com simpatia.
Assim que tirou o celular e abriu o QR code do seu perfil, o garçom foi subitamente puxado pelo colarinho por Alípio, que o arrastou para o lado.
— Assediando cliente em horário de trabalho?
Fazer uma denúncia justa era uma coisa, mas ele realmente ainda estava em expediente.
Com o dono do restaurante ali na frente, impondo aquela presença elegante e intimidadora, o garçom não conseguiu evitar o medo.
Afinal, não queria perder o emprego. O ambiente era bom e o salário também.
Ele enfiou rapidamente o celular no bolso, soltou um “desculpa” e saiu correndo.
Enquanto o garçom fugia, Ema fingiu que Alípio nem existia. Mudou o QR code na tela para o de pagamento e o estendeu à operadora do caixa:
— Ainda vão cobrar a taxa de lugar?
A funcionária, totalmente sem graça, respondeu:
— N-Não... não precisa...
Ela lançava olhares furtivos para Alípio.
Tinha visto e ouvido tudo. Aquela mulher definitivamente não tinha uma relação qualquer com o dono dali. Ela já não tinha coragem nem de levantar a maquininha.
Quando Ema estava prestes a pressioná-la de novo, a voz magnética de Alípio soou bem ao lado do seu ouvido:
— Foi um prazer te conhecer, Ema. A gente pode trocar contato?
Ema:
— ...
Aquele homem devia ter algum problema mental.
Ignorando-o completamente, virou-se para Hortensia:
— Você tem dinheiro em espécie?
Hortensia balançou a cabeça, sem graça.
Ema franziu a testa e voltou a apontar o celular para a operadora:
— Por favor, passa logo isso. Estou quase atrasada para o trabalho.
A ousadia daquela mulher era fora do comum.
Como podia bloquear Alípio com tamanha arrogância?
Muita gente daria a vida por aquele número de WhatsApp.
E o pior: Alípio não parecia nem um pouco irritado...
A garota do caixa perguntou, ainda cautelosa:
— Chefe... o que eu faço?
— É por conta da casa — respondeu Alípio com calma, os olhos ainda presos em Ema.
Ema segurou o celular e retrucou com ironia:
— Uau, típico de um grande chefe. Quanta generosidade. Acho que de agora em diante vou marcar todos os jantares da empresa aqui, já que podemos comer de graça.
— Será sempre bem-vinda — disse Alípio, com um sorriso de canto e os olhos semicerrados, observando-a preguiçosamente.
Ema o mediu de cima a baixo e zombou:
— Parece que você ainda não procurou tratamento para a sua doença.
Dizendo isso, arrancou a maquininha da mão da operadora e apertou o botão rapidamente.

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