Com o celular conectado ao carregador, Ema mantinha o dedo pressionado no botão de ligar, com uma expressão de puro pânico no rosto.
Henrique não conseguiu se conter:
— Aconteceu alguma emergência? Não se preocupe, esse cabo é de carregamento rápido. O aparelho vai ligar num instante. Tente soltar o botão e pressionar de novo.
Ema obedeceu em silêncio. Quando o logotipo apareceu na tela escura, ela prendeu a respiração, esperando ansiosamente.
Assim que a tela inicial carregou, abriu imediatamente o histórico de chamadas e ligou para Samuel.
O telefone chamou por muito tempo sem resposta. Desesperada, Ema desligou e ligou rápido para Zenobia.
A chamada foi atendida quase na mesma hora:
— Ema... a senhora nos deixou... Ela faleceu em casa.
O choro de Zenobia cravou-se como agulhas no coração de Ema. A mão que segurava o celular tremia de forma incontrolável.
Ema respondeu com a voz embargada:
— Entendi... Estou indo para aí agora mesmo.
Henrique observava os olhos avermelhados de Ema e as lágrimas descendo pelo rosto pálido dela.
— O que houve? Precisa de alguma ajuda?
Assim que Henrique terminou de falar, Ema agarrou a bolsa, pronta para sair.
Ele se apressou em segurar o braço dela e alertou:
— Espere... Sra. Pacheco, você ainda não fez a tomografia da cabeça. Não pode ir embora assim. Se acontecer alguma coisa com você, eu não vou conseguir ficar em paz com isso.
Ema virou-se para encará-lo e disse em um tom frio:
— Não se preocupe com isso. Eu estou perfeitamente bem. Adeus.
Henrique não a soltou e insistiu:
— De jeito nenhum. Fui eu quem bateu no seu carro e causou esse ferimento. Ou me diga para onde precisa ir e eu te levo. Depois a gente volta para fazer o exame. Só assim eu fico com a consciência tranquila.
A essa altura, o semblante de Ema já havia escurecido de irritação.
— Sra. Pacheco, a entrada do hospital está lotada. Vai ser muito difícil conseguir um carro por aplicativo. Se for realmente urgente, venha comigo. Posso te levar muito mais rápido.
Assim que saiu do saguão do hospital, Ema olhou para a multidão agitada.
Maldição. Havia mais gente ali do que no centro da cidade em horário de pico.
Ela parou e olhou friamente para o homem parado ao seu lado:
— Por acaso você sabe voar?
Ao ouvir aquilo, Henrique não conseguiu segurar uma risada e estalou os dedos:
— Acertou em cheio.
Dito isso, puxou-a pelo braço e correu para a lateral do hospital.
A poucos metros dali, parou em frente a uma oficina de motos de alta cilindrada.
— Espere aqui. Volto em um minuto.

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