As três crianças congelaram por um segundo antes de correr para os braços de Ema.
Uma se agarrou aos braços dela, outra abraçou seu pescoço...
O jeito como os pequenos a apertavam com tanta força deixava claro o quanto estavam magoados.
Ema acariciava os filhos em seu colo enquanto lançava um olhar frio e cortante para as outras pessoas na sala.
A diretora e a professora observavam a cena com apreensão, como se quisessem dizer algo, mas estivessem se segurando.
O olhar de Ema deslizou até Edson e sua esposa.
A mulher, um pouco gordinha, usava roupas, acessórios e maquiagem exagerados. Aparentava ter mais ou menos a mesma idade de Catarina.
Ela fulminava Ema com o olhar, aproveitando para lançar também uma cara feia às crianças.
Quando Ema desviou o olhar, acabou cruzando diretamente com os olhos de Edson.
Que postura era aquela para um homem mais velho que supostamente vinha resolver um conflito infantil?
O jeito como ele a olhava exalava uma malícia descarada. Ema sentiu um asco imediato.
Ela desviou o olhar de volta para os filhos em seus braços, mas, antes que pudesse falar, a voz estridente da esposa de Edson explodiu pela sala:
— Você é a mãe deles? Que tipo de educação você dá aos seus filhos? Três contra o meu menino sozinho? Olha só isso! Olha esses arranhões no braço e no joelho!
Guiada pelo berreiro, Ema olhou na direção da mulher, que sacudia o braço do filho com indignação.
Ao lado dela, Edson tentou intervir:
— Sim, sim, o Dário está certo! Hoje ele puxou o brinquedo da Érica, e há alguns dias ele até roubou a minha coxa de frango favorita do meu prato!
Érica Pacheco fez um biquinho e continuou:
— Mamãe, a regra da nossa hora de brincar é que todos os brinquedos ficam numa caixa grande. A gente escolhe o que quer brincar e, quando termina, guarda de volta para os outros colegas. Eu mal tinha começado a brincar com aquele e ele já veio querendo puxar de mim. E ainda me beliscou, olha só, mamãe.
Dizendo isso, Érica estendeu o bracinho com uma expressão chorosa, mostrando a marca avermelhada do beliscão, ainda bem visível.
De repente, Érica virou-se para Silas e disparou, com uma indignação adorável:
— Você me beliscou e ainda mentiu dizendo que a gente te bateu. Silas, você é um garoto mau e mentiroso! Eu nunca mais vou brincar com você.
— Quem você está chamando de garoto mau? Quem?! — Assim que Érica terminou de falar, a voz esganiçada da esposa de Edson explodiu no ambiente.

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