— Esse tipo de coisa trivial agora precisa da minha aprovação?
Perguntou Alípio em um tom gélido.
Marcos ficou sem saber como responder. Como a SambaSky Media ainda não tinha um gerente-geral nomeado, as decisões estavam paradas.
A última reunião do conselho de administração terminou em discordância sobre quem ficaria encarregado das contratações.
Além de Urbano, outros funcionários de diferentes setores também haviam enviado várias propostas de parcerias.
Marcos ficou em silêncio por um instante antes de se manifestar com cautela:
— Sr. Salazar... a chefia do departamento DC ainda não foi definida, então... O vice-presidente sugeriu usar desempenho como critério. Isso significa que aquele que fechar a primeira parceria com o maior retorno financeiro será avaliado primeiro para o cargo.
Marcos, percebendo que Alípio acendia um cigarro e permanecia indiferente, acrescentou:
— Se o senhor quiser dar uma olhada, esse grupo tem muito potencial.
Ao ouvir essas palavras, Alípio, com o cigarro preso aos lábios, estreitou os olhos e fitou o assistente.
Marcos sentiu um calafrio com aquele olhar; faltou apenas ouvir Alípio lhe perguntar se ele por acaso havia recebido propina do Urbano.
— Sr. Salazar... O grupo deles já é famoso há um tempo. Quando chego em casa do trabalho, eu até assisto a alguns vídeos antes de dormir, eles são muito populares na internet. Não estou dizendo isso só porque foi o Sr. Tavares quem recomendou. Muita gente na empresa gosta deles. Eu apenas acho que, no final das contas, deveríamos avaliar qual é o melhor plano de ação...
Quase no fim da explicação de Marcos, Alípio pegou o aparelho na mesa. Ao notar isso, Marcos soltou um longo suspiro de alívio.
Alípio o observou pelo canto do olho e falou em um tom desinteressado:
— Mande trazerem café.
Marcos sugeriu:
— Eu já preparei o jantar. Gostaria de comer alguma coisa primeiro?
Alípio foi curto e grosso:
— Café.
Marcos assentiu em silêncio:
— ...
Vendo Marcos se retirar, Alípio desbloqueou a tela lentamente e deu de cara com a página de uma conta de rede social chamado "Trio Docinho".
A bio do perfil trazia apenas uma frase: "O dia a dia de três fofuras."
Alípio olhava para aqueles vídeos e, de repente, imagens de Ema surgiram em sua mente, e da barriga que ela protegia como se fosse a própria vida.
Se aquela tragédia não tivesse ocorrido, as crianças deveriam ter mais ou menos a mesma idade...
Ela amava tanto os bebês, que chorava até perder a voz, implorando de joelhos para ele por causa deles...
Alípio sentiu ainda mais convicção de que Ema nunca cometeria a loucura de se jogar no mar.
Se não a encontravam em lugar algum, era porque ela estava se escondendo de propósito, vivendo sob um nome falso para escapar dele.
Justo quando um sentimento de asfixia, provocado por todos aqueles pensamentos confusos, invadiu o peito de Alípio, seu próprio celular começou a tocar.
Pelo toque personalizado, percebeu de imediato que era seu avô.
Ele puxou o telefone, deslizou a tela e, controlando as emoções, atendeu com uma voz amena:
— Vô...
— Seu moleque atrevido, você nunca liga para mim? Faz quantos dias que você não vem me ver?!
Assim que a chamada conectou, a voz de Diogo já soava como uma dura bronca.

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