Em meio às lágrimas, Catarina parou de repente. Ela agarrou o braço de Luís e disse com espanto:
— Luís, tem algo errado. A família com quem trocamos os bebês não tinha o sobrenome Ribeiro. Antes de eles irem para o exterior, nós até fomos secretamente ao aeroporto dar uma olhada. O patriarca daquela família também não era esse Fidel. Por que esse Fidel viria à nossa porta exigir a filha?
Ao ouvir essas palavras, Luís também franziu a testa severamente:
— É verdade... Eu também estou muito confuso com isso.
Catarina enxugou as lágrimas e falou com pressa:
— Não podemos nos preocupar com tantos detalhes agora. Precisamos pensar no que fazer amanhã. Ele não disse que voltaria amanhã? O que vamos fazer?
Luís pensou um pouco e disse:
— Que tal mandarmos Alan e Tânia de volta mais cedo? Nós dois poderíamos ir para o interior e nos esconder por um tempo. Quanto a Ema...
— Nos esconder? Nos esconder onde? A sua empresa vai fechar as portas? Nós não vamos mais ter uma vida normal no futuro? — Interrompeu Catarina, com uma voz ríspida.
Luís amparava Catarina enquanto suspirava pesadamente:
— Então me diga, o que você sugere que façamos... Pensando bem, a nossa filha já está tão crescida e já aproveitou o que tinha que aproveitar. Você não tem a intenção de reconhecê-la de volta?
Catarina assumiu uma expressão de puro terror ao ouvir isso:
— Reconhecer?! Luís! Esse tipo de troca de bebês dá cadeia! Como é que a gente vai assumir isso publicamente? Você tem coragem para isso?! E ainda tem aquela desgraçada da Ema... Não, Luís, nós precisamos encontrar uma solução. Se aquele Fidel continuar vindo nos procurar o tempo todo, estaremos em apuros. Temos que agir primeiro, enquanto ele não tem provas concretas.
Luís olhou para Catarina com as sobrancelhas franzidas e disse com preocupação:
— Por favor, não vá fazer mais nenhuma besteira ilegal...
Catarina lançou-lhe um olhar feroz:
— Não vou! Amanhã, você leva primeiro o Alan e a Tânia para o aeroporto. Depois, basta entrar no meu jogo e atuar comigo.
Luís, ainda inquieto, perguntou mais uma vez:
— O que você pretende fazer? Me dê pelo menos uma pista, senão não ficarei tranquilo.
Catarina o observou de cima a baixo. Um brilho assassino surgiu lentamente em seus olhos enquanto ela rosnava entre dentes:
Havia de tudo ali em cima, até mesmo um secador de cabelo preparado para o seu uso.
Ela engoliu em seco, comovida até as lágrimas mais uma vez pela gentileza de Zenobia e Samuel.
Embora fossem apenas amigos, essa amizade era de um valor inestimável.
Se a sua vida melhorasse no futuro, aquelas duas pessoas seriam a quem ela dedicaria a sua gratidão por toda a vida.
Enquanto secava os cabelos, ela notou novamente a pequena caixa sobre a mesa de cabeceira.
Zenobia a havia alertado para guardar aquilo com segurança. Ali estavam o cartão antigo da conta-salário e também o cartão bancário que Alípio lhe dera quando a forçou a fazer o procedimento.
Aquilo... representava tudo o que ela possuía no mundo.
Ema secava os fios lentamente, observando cada detalhe daquele quarto.
Ela não sabia se a decoração fora obra de Zenobia ou de Samuel, mas todos os detalhes, desde os enfeites até os lençóis da cama, eram exatamente do seu gosto.
Se não fosse por esses dois, era impossível dizer onde Ema estaria agora ou que tipo de vida estaria levando.

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