Fidel lançou um olhar cortante para uma cadeira próxima e caminhou em direção a ela com uma serenidade assustadora.
— Já que a sua memória parece estar falhando, que tal se eu te ajudar a lembrar de alguns detalhes? — Sugeriu ele enquanto se acomodava.
Catarina prendeu a respiração enquanto sua mente se transformava em um redemoinho caótico de pensamentos sombrios.
No entanto, ela manteve a postura defensiva e fingiu indiferença, aguardando que o invasor prosseguisse.
Fidel não perdeu tempo e apontou diretamente para a parede de retratos da família:
— Onde está a sua outra filha?
Catarina seguiu a direção do dedo dele, cravando os olhos na galeria fotográfica.
Aquela parede exibia apenas fotos de Alan Pacheco, Tânia e o casal, sem nunca ter um único registro de Ema.
Outra filha?!
Como ele poderia saber da existência de outra filha na família?!
Ele estaria se referindo especificamente à Ema?!
Catarina respondeu com uma voz gélida e defensiva:
— Que outra filha? Eu tive um casal de gêmeos e as fotos deles estão bem ali na parede.
— É mesmo... — Fidel arrastou a pronúncia, varrendo o ambiente modesto com um olhar carregado de profundo desprezo. — Como foi então que as minhas investigações apontaram a existência de uma filha mais velha?
O coração de Catarina errou uma batida forte no peito ao perceber a profundidade da investigação daquele homem formidável.
A surpresa tomou conta dela até que sentiu os braços serem segurados com força para trás em um movimento de submissão.
Luís, que permanecia em um silêncio covarde, também foi subjugado rapidamente pelos seguranças imponentes.
— O que vocês estão tentando fazer com a gente?! — A voz de Catarina tremia em um misto de raiva e pavor absoluto.
Fidel cruzou as pernas elegantemente na cadeira e fixou o olhar afiado na mulher antes de responder com total desinteresse:
— Como você se recusa a dizer a verdade, vou ter que usar métodos mais duros.
Ele voltou sua atenção para os dois guarda-costas e ordenou friamente:
— Escute, Sr. Ribeiro. Em primeiro lugar, eu não sei absolutamente nada sobre essa suposta troca de bebês no Centro Médico Serra Verde há tantos anos, o mês em que você afirma que tudo ocorreu foi o mesmo do meu parto, o que significa que eu estava de licença daquele hospital. Além disso...
Catarina forçou um suspiro profundamente melancólico antes de continuar sua encenação barata:
— Ah, essa minha filha mais velha... Poucos anos depois que ela nasceu, eu engravidei novamente e tive esses gêmeos prematuros que precisaram de toda a minha atenção, o meu descuido na criação dela fez com que fugisse de casa há muito tempo. Veja só, ela levou embora todas as fotos e cortou completamente os laços com a nossa família, e nós ainda a procuramos desesperadamente.
Após uma rápida deliberação mental, Catarina decidiu que a melhor saída seria negar veementemente todas as acusações.
Se aquele homem arrogante realmente possuísse provas concretas, já teria procurado a polícia em vez de fazer um teatro em sua sala.
Porém, Fidel não engoliu a atuação lamentável da mulher à sua frente.
Ele arremessou a pasta de documentos diretamente no rosto de Catarina e esbravejou com fúria incontida:
— É claro que você não estava no seu turno de trabalho naquele mês específico! Embora fosse um hospital particular de alto padrão, gente como você não teriam o privilégio de parir lá dentro. Você usou a sua posição de funcionária para ter acesso aos benefícios do hospital, garantindo que o seu parto acontecesse no mesmo terceiro andar, estou mentindo por acaso?
Convencida de que não havia evidências sólidas, Catarina devolveu o confronto com a mesma intensidade:
— E o que isso prova afinal de contas? Eu não era a única enfermeira ou paciente naquele andar em um dia que estava obviamente lotado. O que você está alegando não passa de uma calúnia sem nenhum fundamento ou prova concreta!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos